Bem, hoje é dia 12 de outubro. Feriado. Dia de Nossa Senhora Aparecida e, também, Dia das Crianças. Acho que o título é bem auto-explicativo, né? Tirando o fato de milhões de pessoas no mundo passando fome, sendo uma parcela significativa dessas pessoas, crianças. Isso sem citar as que sofrem maus tratos, de apanharem até desmaiarem, serem jogadas de janelas (...) ou espancadas até a morte (...). Mas o post de hoje não é sobre elas. É sobre as crianças que, podem ou não, ser gays.
É um conceito complicado, você, leitor, deve estar se perguntando "como assim podem ou ser? Ou é ou não é!", calma, eu explico. O fato de uma criança já apresentar trejeitos que, socialmente, são associados à homossexualidade, nada tem a ver a orientação sexual que aquela criança vai seguir, essa sim, não é uma escolha. E eu digo vai seguir porque, convenhamos, criança é um ser assexuado (pelo menos a maior parte delas), não é à toa que quando a gente é pequeno rola aquela rixa de Meninas x Meninos.
O fato é que ser gay, mesmo quando ainda não se sabe, é uma das coisas mais difíceis enquanto ainda estamos no ambiente escolar. Eu lembro até hoje como era a rotina de ir pra escola e ser chamado de viadinho, boiola, bicha e variações - isso porque nessa época eu era o pegador...de meninas! - e chegar em casa e ouvir a mesma coisa do meu irmão. Eventualmente, ouvir minha mãe dizendo que eu parecia um viadinho porque eu não gostava de salada (Oi?) e que eu deveria comer que nem homem.
Teve uma vez que eu estava na 1ª série e um menino disse que a bunda dele estava doendo e eu me ofereci pra massagear (ingênuo da minha parte, né?). Aí o filho da puta menino, depois de aproveitar um pouco a massagem disse que iria falar com a "Tia" e foi lá, na frente de todo mundo. A professora parou a aula, me chamou na mesa dela - isso enquanto todos os alunos da sala me olhavam - e ficou gritando perguntando se eu era 'bicha'. Soluçando, eu repetia que não. Nem sabia o que era isso ainda. Depois ouvi meu pai dizendo que era pra eu nunca mais encostar na bunda nem no 'pinto' de um menino porque isso era feio.
Enfim, o fato é que a gente sofre com homofobia desde cedo. Hoje mesmo, embora sejam de praxe todos formarem uma família feliz, amanhã é dia de apanhar, ser xingado, violentado de n maneiras na escola, principalmente. Na rua, enquanto brinca com seus amiguinhos que herdaram os preceitos preconceituosos de seus pais, apontando para aqueles que eles julgam serem viadinhos e etc.
Nesse momento, eu me preocupo muito mais com as crianças que estão aí sofrendo preconceito - não importa pelo que - do que se elas vão receber presentes. Daquelas que não tem a menor condição de estudar porque tem que trabalhar pra ajudar em casa. Daquelas que estão sendo abusadas pelos padres pedófilos, daquelas que estão sendo arrebentadas pelos coleguinhas, daquelas que os pais não dão a mínima. Daquelas que muito provavelmente só lembradas como crianças no dia de hoje.
Então, sinceramente, alguém me diz como hoje pode ser um dia feliz?












