O dia 30 reservava muitas expectativas. Eu iria conhecer todos os melhores amigos do Bruno, em uma festa regada a pouca comida MUITA bebida. Muita. Muita mesmo.
O dia foi tranquilo apesar de estarmos todos ansiosos pelo início da festa e eu ter me cansado de tanto zuar meu amigo e Bruno, com piadas tão escrotas que nem eu sabia que tinha capacidade pra uma falta de criatividade tão grande.
Um pouco antes deles chegarem eu já estava bebendo, pouco, mas bebendo e assim que eles chegaram a gente começou a beber vodka com energético, com algumas cervejas no meio e, de repente estava trêbado já. Em geral, eu não sou um bêbado sem noção no seguinte aspecto: sei quando estou mal, dificilmente passo do meu ponto, me controlo muito pra isso. Mas não nesse dia.
A conversa até começou bem, todos se divertindo, rindo, todo mundo feliz. E aí, eu comecei com meu pior defeito quando eu bebo: querer falar as verdades pras pessoas.
Aquelas verdades despretensiosas do tipo: "Ah, eu fiz cirurgia pra tirar as orelhas de abano (uma garota LINDA fala isso)", o que eu respondo: "Ah, nem parece, dá pra ver que tem mais um pouco". (...)
Daí foi pra pior, eu tava muito mal, queria continuar bebendo (porque, meu Deus?), continuei sendo chato, brigando com as pessoas. Até tomei consciência da minha situação, saí da onde estava todo mundo e chorei. Chorei horrores. Minha vontade era de simplesmente ir embora pra minha casa e passar o Réveillon dormindo, porque eu estava com tanta vergonha.
Pra vocês terem ideia do ódio que despertei: essa pessoa pequena vomitou em mim quando foi dormir. Aí ele foi lá fora contar pras pessoas, trêbado, e o que todo mundo fez? APLAUDIU! Gente, olha, eu super entendo, na situação deles, eu acho que também aplaudiria. Eu contei muito com uma amiga do Bruno, ela conversou comigo enquanto eu estava chorando cachoeiras, ela me limpou do vômito (aff...), enfim. E nem lembro de tê-la agradecido.
Acho que isso nunca tinha acontecido comigo antes. Já até fui bêbado chato algumas vezes, mas em geral porque eu fico carente, então quero abraços, beijos etc. No final, é apenas uma forma de sabotar minha aceitação. Eu não sou hipócrita, eu odeio ser excluído. Tem gente que não se importa de ser excluído em determinados grupos, mas eu me importo. Muito. Em todos. A minha vida inteira foi pautada em exclusão. No ensino fundamental, eu ficava com todos os estranhos e excluídos da sala. No ensino médio, eu ficava com quem conseguia me aturar.
Como posso pensar diferente hoje? Na faculdade eu consegui um feito incrível: tirando uma inimizade, eu posso me considerar até 'pop'. Nesse dia, eu estava tão preocupado em causar uma boa impressão que a primeira coisa que eu fiz foi ficar bêbado e me sabotar. E isso é uma merda. Eu nem consegui pedir desculpas pra eles. Eu fui mega grosso com a namorada da amiga do Bruno que me limpou e tal, ao ponto dela falar "Pô, Gui, tá tudo bem, vai lá dormir, você está estragando o clima..." e eu respondo o que? "Sou desses".
VOCÊ É DESSES É O CARALHO, FILHO DA PUTA. VOCÊ JÁ FOI EXCLUÍDO A VIDA INTEIRA, AGORA QUE VOCÊ TEM CONSCIÊNCIA DE MUDAR VAI FICAR AGINDO ASSIM? VOCÊ GOSTA DO ÓDIO ALHEIO, É?
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