2010. Sábado. Sol. Pré-Carnaval. Banda de Ipanema. Celular perdido.
2011. Sábado. Sol. Pré-Carnaval. Banda de Ipanema. Celular perdido. De novo.
Meu final de semana se resume a quase isso. Eu, lindo, simpático e solteiro na Banda de Ipanema perdendo o celular. 'Perdendo' parece que eu fiquei a noite toda nessa vibe, né. Pois é, fiquei. Sabem, eu nunca quis fazer do blog um diário pessoal, mas desde o fim do ano passado tem rolado coisas que eu preciso falar pra alguém. E eu sou péssimo em desabafos. Eu reclamo, eu lamento, mas sabe, falar dos sentimentos nunca foi tranquilo pra mim. Acho que escrevo melhor. Ou não, sei lá. Vejam só como estou desconexo hoje.
Sabe quando você compra alguma coisa com o SEU dinheiro (olha, gente, não trabalho, ganho uma miséria que chamam de bolsa de auxílio à pesquisa) e fica todo feliz? Ela é exatamente o que você esperava? Era eu com meu celular. Durou 2 semanas minha alegria. Agora minha tristeza durará 6 meses, até acabarem as parcelas.
R.I.P. Nokia X2. Meu xodó.
Aí, beleza, eu sou desses que chora o mundo, xinga muito no Twitter, mas não deixa de fazer a limonada. Então, o que eu fiz? Bebi o mundo. De vez em quando até tinha acesso de raiva e socava paredes, jogava latas de cerveja no chão (enquanto gritava: PORQUE NÃO ROUBARAM MEU CARTÃO DE CRÉDITO, MEU DINHEIRO, MEU CARTÃO DE DÉBITO, IDENTIDADE, PORRA?). Outra coisa acontece quando eu fico bêbado: fico fácil. Assim, vem que to facim. Nessa vibe mesmo, então, rolou nego só de cueca, indo pro ponto de ônibus pra voltar, quando pisei no pé sem querer, enfim. Facilidade, você vê por aqui.
Só que, dessa vez, rolou uma coisa diferente. Aliás, algo que nunca tinha rolado antes
Eu posso dizer que só tive envolvimento emocional (nem dá pra dizer envolvimento, mas quase) com duas pessoas na vida. Uma delas foi o Visão, que nunca foi de carne e osso. Rolou o envolvimento com a fantasia que eu tinha dele e só. Não deixei de ficar com ninguém por causa dele, apesar de nutrir um carinho todo especial. Nunca rolou sentimento de traição, também. Assim como o carinho também não se dissipou, só foi vencido pela distância de milhares de quilômetros.
Um beijo na boca de quem inventar o holograma sensível.
A segunda vez, bem, como eu costumava chamar o Visão de 'Ele', não posso chamá-lo assim. Então, como sou criativo, foi chamá-lo de eight ai heim, só que fica muito grande pra ficar digitando várias vezes (será que ainda vou digitar isso durante muito tempo?), então, fica Eah. Call me estranho.
Pois bem, conheci Eah em um lugar improvável, em um momento improvável e já comecei péssimo. Fato foi que combinamos de sair depois e até aí tudo bem, porque já combinei de sair 1x com várias pessoas, difícil é ter o segundo encontro, porque sou total Taio Cruz nesse aspecto. O primeiro encontro foi ótimo e aí, rolou o segundo. Gente, eu só encontrei um cara uma vez depois do primeiro encontro e foi meio que por acaso, da vibe 'a gente se esbarra lá'. Ok, Eah começou quebrando um recorde na vida do Guilherme.
O segundo encontro foi ótimo. Sabe aquela pessoa que dá a volta ao mundo só pra não te deixar ir embora sozinho? Eah comigo. Aí, Guilherme, o Taio Cruz carioca (jura que você se sente assim, querido?) começa a dar sinais de defeito. Defeito? Sim, é defeito querer sair pela terceira vez. É defeito mandar mensagens pós-encontro. Aliás, sabem porque eu nunca fiz isso antes? Porque eu cagava pra colocar crédito no celular. Sem crédito, sem mensagens. O que eu fiz antes de encontrar Eah? Coloquei crédito no celular e troquei mensagens pré-encontro.
Rolou a tal da Banda de Ipanema aka Lugar onde Guilherme sempre perde o celular. Lembra de como eu estava? Lindo, simpático e solteiro. Depois de pegar 3243242 pessoas eu percebi que todas tinham uma coisa em comum: não eram Eah. E aí rolou o vazio.
O vazio do meu bolso, que toda hora eu encostava pedindo pra encontrar o celular no fundo dele, o vazio de Eah feliz em terras paulistanas pegando o mundo (juro que nem foi ciúme, não tenho essa vibe errada) e o vazio maior de Guilherme tentando encontrar em cada nova boca um Eah que não existe.
Marcamos um terceiro encontro, vamos ver até quando continuarei dando defeito.
Só sei que uma palavra resume meu final de semana: vazio. Vocês veem algo além do copo? Eu também não. E o copo era eu.
PS: Será que alguém descobre porque escolhi Eah?






