sábado, 5 de março de 2011

Back to Black

Nunca fui do tipo desacreditado. Nunca me julguei azarado ou pensei que existia algo que não era pra mim.

Em especial, o amor. Olha, se eu não me julgo assim, não posso dizer o mesmo dos meus amigos. Tenho muitos amigos que se consideram azarados, dizem que o amor pode existir mas não para eles e tal. Sempre fui conselheiro amoroso, eu era o que ouvia os casos falhos. Eu era o que dizia para as pessoas não ficarem com @ ex, que era o ombro amigo quando voltavam para logo depois saberem que só estavam sendo usados. Ou não, eu só ouvia um lado da história.

Essa semana eu fiquei pensando em como a gente pode mudar nossas concepções em tão pouco tempo, de modo tão brusco. Passei um ótimo fds com Eah, fiquei feliz. Fiz planos, de vê-lo o resto da semana e até de  passar o carnaval com ele. E olha, nem pensei em namoro. As pessoas riem quando eu digo isso, porque todos acham que eu estou loucamente apaixonado por ele e tal. E não. Simplesmente não. Eu estava adorando ficar com ele, foi uma pessoa especial para mim.

Por que estou usando o pretérito? Porque Eah agora é, praticamente, passado. O problema não foram as saídas desmarcadas, a aparente frieza e mesmo o chá de sumiço. Pessoas que trabalham não estão livres como pessoas de férias, eu entendo isso. Quando eu falo que sou um cara muito tranquilo, eu sei exatamente o que quero dizer. Só não posso ficar no escuro, odeio ficar no escuro. Odeio pisar em ovos. 

Quando eu não quero mais ficar com alguém (o que aconteceu todas as outras vezes), eu falo. Sou sincero, uso as palavras certas. Porque para mim, essa sensação é horrível: de não saber o que está acontecendo. Só preciso de um sinal claro, caso as palavras não estejam saindo por vontade própria.

Às vezes rola um erro de comunicação, as pessoas tem medo de envolvimento, então algumas atitudes dão ao entender que você quer namorar ontem. Que você já está amando. As pessoas realmente não sabem o que significa amar. Muitas vezes, você só quer estar perto. E isso basta.

Mas eu sou racional. Sei que 99% do que está aqui pode ser coincidência ou fantasia minha, mas o ditado popular já dizia: mente vazia, oficina do diabo. Vai ver é o carnaval. Vai ver não é. Na dúvida, vou continuar procurando minha vibe para sair porque perdi e não encontrei mais desde Eah.

Só sei que não quero me jogar de lugar nenhum. Não tão cedo.

Isso traduz tudo.

"A pior coisa do mundo é quando alguém faz você se sentir especial e, de repente, te deixa de lado. E aí você tem que agir como se não se importasse" Caio Fernando Abreu

EDIT: Eu estava certo. No fundo, a gente sempre sabe, né?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Se Joga, Bee

Gente, hoje a vibe é meu diário.

Olha, estou bêbado, mas quem são vocês para me julgarem? (brinks, não estou na defensiva não). As pessoas me oferecem vodka às 21h de um domingo num ônibus lotado e quem sou eu para recusar, né? Já bebi o mundo antes, agora sou bêbado.

Estou me esforçando para digitar tudo certo, porque né, não tô nessa vibe de não ser entendido. Esse fds rolou uma maratona frenética de festa e bloco com Eah. E, olha, não sei se poderei usar minhas pernas novamente porque eu não as sinto.
Fato foi que eu nunca fui à uma festa acompanhado antes e vou te dizer, foi muito estranho. Realmente quando você está acompanhado parece que todo mundo te olha, uma loucura. But, como eu estava muito bem acompanhado, olhares lançados não eram retribuídos, porque né, sou fiel. Vou dizer também que é uma sensação muito boa, saber que você sempre terá 'a quem voltar' na festa. Muito diferente de ficar com uma pessoa na festa inteira. 

Eu nem sei explicar porque eu não sei lidar com relacionamentos. Nunca namorei, nunca fiquei sério (aliás, nem sei a diferença dessas coisas), então para mim é tudo novo. É tudo uma experiência nova, que eu resolvi que quero experimentar. 

Sendo sincero, ainda tenho muitos medos em relação à Eah. Tenho medo de estar indo rápido demais, de não estar sendo agradável, exatamente porque eu não sei como agir. 

Aliás, sendo mais sincero ainda: confesso, estou apaixonado. E eu nem sei o que isso significa. Só sei que tudo é diferente. Tudo é...bom. O beijo é bom (tão bom que eu sempre fico 'constrangido', se é que me entendem), o papo é bom, tudo é bom. Sei nem explicar isso, sabem, achei que não existia. Mas olha, pelo que me disseram (juro que perguntei isso para várias pessoas), é isso estar apaixonado. É o querer bem, o querer estar perto, é tudo.

Só queria que as coisas ficassem claras e Eah mandasse um sinal bem claro para mim de que também está nessa vibe, porque né, super não quero ser chato com ele. Eu? Se eu me enganar e estiver me envolvendo (há! parece até que não estou envolvido ainda), vou superar. Total não sou do tipo que vai chorar pelos cantos. Talvez bêbado, mas passa. Se não puder ter Eah como algo a mais, que seja pelo menos como amigo. Ou não, depende dele também.

Porém, quem quer começar uma história já pensando no seu término? Eu simplesmente decidi que vou me jogar do abismo, como disse o Autor. Mesmo que seja para me estabacar e saber o gosto da dor. Que seja, a vida é muito curta para a gente ficar ponderando tanta coisa. Só quero viver, só quero sentir as borboletas no estômago (isso para mim ainda é mito, beijos), mesmo que o impacto me deixe no chão durante um tempo. Do chão eu não passo, não é?

Eu estou em um momento em que minha concepção de vida é simples: just be. Apenas seja. Apenas seja você mesmo ou seja o que quiser. Se quiser dar pinta horrores na rua, dê. Qual o problema nisso? Qual o problema em 'parecer' gay? Qual o problema em ser bichinha? Se quiser ser machão, seja. Se quiser amar, se apaixonar, porque não?

E é isso aí. Vou me jogar. Só espero que seja de mão dadas com Eah, porque aí, vai ser muito mais gostoso.

[Não me critiquem porque meu texto não tem nada a ver com nada porque não sou obrigado. Grato.]

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Geração Sibutramina #1

[Esse texto ficou enorme, leia em etapas ou segure o fôlego, sorry]

Essa semana estava rolando o maior frisson no Twitter e em algumas redes sociais devido à possibilidade de proibição de 2 classes de anoxerígenos, os à base de Sibutramina e os anfetamínicos. A nota técnica da Anvisa encontra-se aqui. E olha, apesar de alguns termos técnicos, qualquer um que tenha terminado o Ensino Médio consegue ler essa nota técnica e entender satisfatoriamente, mesmo os que não são da área da saúde.

A maior parte comentava que achava um absurdo a proibição porque há pessoas que, de fato, precisam do medicamento para ajudar na perda de peso etc. Outros diziam que, além disso, era uma jogada da Indústria Farmacêutica, pois logo deveria ser lançado um novo medicamento milagroso para emagrecimento.

Assim, eu fiquei chocado porque isso mostra o quanto as pessoas não tem ideia de como funciona a Anvisa, não tem ideia do que é necessário para que um medicamento seja proibido ou passe a ser controlado. Nem de quanto tempo isso leva para acontecer. 

Em geral, um medicamento só entra no mercado depois de 10 anos de descoberto, porque são vários anos só pra chegar na molécula que fará os testes animais, pré-clinicos e clínicos. Se, em todos esses testes, a molécula (é chamada de fármaco agora, eu acho) apresentar alta taxa de eficiência e eficácia (são conceitos diferentes), baixa toxicidade e, um dos fatores principais, baixo custa de produção do medicamento (lembre-se que o princípio ativo não é o medicamento), aí ele vai pro mercado.

Entretanto, como até hoje sabe-se muito pouco do mecanismo de ação de cerca de 70% dos medicamentos que usamos (em geral, em várias bulas dá para encontrarmos algo do tipo "ainda não é certo o mecanismo de ação de tal substância, mas acredita-se..."), existe um departamento da indústria voltado especificamente para o acompanhamento dos medicamentos que já estão sendo comercializados, é o setor de Farmacovigilância.


Normalmente, como a indústria costuma manipular resultados clínicos para colocar medicamentos no mercado (Casos como o caso do Vioxx e no caso da Talidomida, que não foi retirada do mercado, mas é fortemente - ou deveria ser - controlada), exemplo clássico foi o dos inibidores seletivos da COX-2. Todo mundo que já tomou antiinflamatório sabe que eles tem um efeito colateral gástrico, causando azia e, se usado por muito tempo, até mesmo úlceras. Esses antiinflamatórios são inibidores das enzimas Ciclo Oxigenases 1 e 2, que estão envolvidas na produção dos mediadores químicos responsáveis pela inflamação.

Quando lançaram os inibidores seletivos da COX-2, o grande argumento da indústria era um efeito mais potente com menor quantidade de medicamento e, principalmente, porque causava um efeito colateral gástrico muito menor. Claro, se analisarmos a janela de 6 meses de uso, realmente. Porém, esses remédios tem como alvo, principalmente, aquelas pessoas que fazem uso contínuo (isto é, têm doenças crônicas), logo 6 meses é uma janela muito pequena. 

Nos testes clínicos conduzidos pela própria indústria, atestou-se que, em 1 ano de uso, os inibidores seletivos da COX-2 causam muito mais danos gástricos e hepáticos que os inibidores não seletivos. Mas só foram descobrir isso depois de muito tempo de comercialização, o que fez com que esse tipo de medicamento fosse indicado para utilização por apenas 6 meses, sendo trocado após esse período. E, mesmo após a descoberta desses resultados dos testes clínicos, isso demorou muito para acontecer. O FDA (Food and Drug Administration, a Anvisa dos States) levou ainda alguns meses para esse proibição.

Aonde eu quero chegar com isso tudo? Que a Sibutramina só foi proibida depois de muita pesquisa (acreditem, a nota técnica da Anvisa não foi a única, olhem as 20 páginas de referências e me digam se está cientificamente incorreto), ela pode causar diversos distúrbios cardiovasculares e comportamentais. (vale lembrar que a Sibutramina é inibidora da recaptação de dopamina, serotonina e noradrenalina, hormônios responsáveis por controle da temperatura, nível de batimento cardíaco e até mesmo a sensação de felicidade). Estou comentando mais da Sibutramina, porque é o medicamento dessa classe mais famoso, provavelmente.

Meu ponto final é: porque proibir um medicamento blockbuster (todos entendem o porquê do 'apelido'?) mesmo quando sua patente já foi expirada? Para a indústria, isso resulta em PREJUÍZO. Para a Anvisa, isso resulta em QUALIDADE DE VIDA. Em linhas gerais, podemos dizer que a Anvisa é INIMIGA da indústria. 

Qualquer um que veja as regulamentações para propaganda de medicamentos, por exemplo, perceberá que embora os artigos ainda estejam longe do ideal, eles possuem, sim, diversas restrições extremamente complicadas para indústria. Esse é, inclusive, um dos motivos porque o departamento de Marketing das indústrias farmacêuticas, por exemplo, tem preferência por Farmacêuticos marketeiros, exatamente pelo conhecimento técnico que eles têm, capaz de embasar uma propaganda.

Vale lembrar que esse problema todo é só devido à possibilidade de proibição desses medicamentos. Nem é fato consumado, ainda.

Como o post já está enorme, vou deixar para um segundo momento a discussão da utilização desse tipo de medicamento, de forma geral.

PS: Se Eah não me matar nesse fds, claro: os planos são tenebrosos!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Vazio

2010. Sábado. Sol. Pré-Carnaval. Banda de Ipanema. Celular perdido.

2011. Sábado. Sol. Pré-Carnaval. Banda de Ipanema. Celular perdido. De novo. 

Meu final de semana se resume a quase isso. Eu, lindo, simpático e solteiro na Banda de Ipanema perdendo o celular. 'Perdendo' parece que eu fiquei a noite toda nessa vibe, né. Pois é,  fiquei. Sabem, eu nunca quis fazer do blog um diário pessoal, mas desde o fim do ano passado tem rolado coisas que eu preciso falar pra alguém. E eu sou péssimo em desabafos. Eu reclamo, eu lamento, mas sabe, falar dos sentimentos nunca foi tranquilo pra mim. Acho que escrevo melhor. Ou não, sei lá. Vejam só como estou desconexo hoje.

Sabe quando você compra alguma coisa com o SEU dinheiro (olha, gente, não trabalho, ganho uma miséria que chamam de bolsa de auxílio à pesquisa) e fica todo feliz? Ela é exatamente o que você esperava? Era eu com meu celular. Durou 2 semanas minha alegria. Agora minha tristeza durará 6 meses, até acabarem as parcelas.

R.I.P. Nokia X2. Meu xodó.

Aí, beleza, eu sou desses que chora o mundo, xinga muito no Twitter, mas não deixa de fazer a limonada. Então, o que eu fiz? Bebi o mundo. De vez em quando até tinha acesso de raiva e socava paredes, jogava latas de cerveja no chão (enquanto gritava: PORQUE NÃO ROUBARAM MEU CARTÃO DE CRÉDITO, MEU DINHEIRO, MEU CARTÃO DE DÉBITO, IDENTIDADE, PORRA?). Outra coisa acontece quando eu fico bêbado: fico fácil. Assim, vem que to facim. Nessa vibe mesmo, então, rolou nego só de cueca, indo pro ponto de ônibus pra voltar, quando pisei no pé sem querer, enfim. Facilidade, você vê por aqui.

Só que, dessa vez, rolou uma coisa diferente. Aliás, algo que nunca tinha rolado antes

Eu posso dizer que só tive envolvimento emocional (nem dá pra dizer envolvimento, mas quase) com duas pessoas na vida. Uma delas foi o Visão, que nunca foi de carne e osso. Rolou o envolvimento com a fantasia que eu tinha dele e só. Não deixei de ficar com ninguém por causa dele, apesar de nutrir um carinho todo especial. Nunca rolou sentimento de traição, também. Assim como o carinho também não se dissipou, só foi vencido pela distância de milhares de quilômetros. 

Um beijo na boca de quem inventar o holograma sensível.

A segunda vez, bem, como eu costumava chamar o Visão de 'Ele', não posso chamá-lo assim. Então, como sou criativo, foi chamá-lo de eight ai heim, só que fica muito grande pra ficar digitando várias vezes (será que ainda vou digitar isso durante muito tempo?), então, fica Eah. Call me estranho.

Pois bem, conheci Eah em um lugar improvável, em um momento improvável e já comecei péssimo. Fato foi que combinamos de sair depois e até aí tudo bem, porque já combinei de sair 1x com várias pessoas, difícil é ter o segundo encontro, porque sou total Taio Cruz nesse aspecto. O primeiro encontro foi ótimo e aí, rolou o segundo. Gente, eu só encontrei um cara uma vez depois do primeiro encontro e foi meio que por acaso, da vibe 'a gente se esbarra lá'. Ok, Eah começou quebrando um recorde na vida do Guilherme.

O segundo encontro foi ótimo. Sabe aquela pessoa que dá a volta ao mundo só pra não te deixar ir embora sozinho? Eah comigo. Aí, Guilherme, o Taio Cruz carioca (jura que você se sente assim, querido?) começa a dar sinais de defeito. Defeito? Sim, é defeito querer sair pela terceira vez. É defeito mandar mensagens pós-encontro. Aliás, sabem porque eu nunca fiz isso antes? Porque eu cagava pra colocar crédito no celular. Sem crédito, sem mensagens. O que eu fiz antes de encontrar Eah? Coloquei crédito no celular e troquei mensagens pré-encontro.

Rolou a tal da Banda de Ipanema aka Lugar onde Guilherme sempre perde o celular. Lembra de como eu estava? Lindo, simpático e solteiro. Depois de pegar 3243242 pessoas eu percebi que todas tinham uma coisa em comum: não eram Eah. E aí rolou o vazio.

O vazio do meu bolso, que toda hora eu encostava pedindo pra encontrar o celular no fundo dele, o vazio de Eah feliz em terras paulistanas pegando o mundo (juro que nem foi ciúme, não tenho essa vibe errada) e o vazio maior de Guilherme tentando encontrar em cada nova boca um Eah que não existe. 

Marcamos um terceiro encontro, vamos ver até quando continuarei dando defeito.


Só sei que uma palavra resume meu final de semana: vazio. Vocês veem algo além do copo? Eu também não. E o copo era eu.

PS: Será que alguém descobre porque escolhi Eah?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Call me 'Referência'

Desculpem-me pela a ausência durante essas quase 3 semanas. Fato é que minha vida tem sido muito desinteressante. Ok, mentira. A minha vida tem estado MUITO interessante até, eu tenho pensado em vários posts, mas eu estou com aquela preguicinha, sabem? De qualquer forma, esse post é importante pra discutir algumas coisas.

Terça-feira passada me ligaram da escola do ensino fundamental, uma escola da rede municipal.

Mulher: "Olá, Guilherme, tudo bem? Olha, neste sábado estará acontecendo um evento de capacitação de jovens egressos do ensino fundamental de 10 escolas cariocas, chamadas agora de Ginásios Cariocas, para o programa de Jovem Protagonista Carioca. Você é considerado um aluno de referência até hoje e por isso estamos te convidando para esse evento. Você receberá uma bolsa de R$120,00, gostaria de participar?"

Eu: *pensando: Carnaval, 120, Carnaval, 120, Ipanema, Carnaval...* Claro!

E fui eu para o Centro do Rio às 8 da manhã participar desse curso em um dos Ginásios. Posso dizer que o dia de treinamento foi razoável, com o pessoal de Pernambuco que desenvolve esse projeto super empenhado, atencioso, talentoso e dedicado. Algumas brincadeiras interessantes e dinâmicas bem legais em relação a proposta. No mais, saí correndo porque tinha um compromisso (ainda não sei se conto do compromisso ou não por aqui...).

Ontem fomos às escolas receber, primeiramente, os alunos do atual 7º ano (antiga 6ª série). Olha, trabalhar com crianças é um inferno. Elas gritam, batem nos colegas, jogam água, falam o tempo todo, não prestam atenção: uma loucura. Meus parabéns pra quem lida com isso todos os dias, porque olha, não tenho estrutura.

A ideia do projeto é exatamente usar o exemplo de egressos que obtiveram sucesso porque perseguiram seus sonhos (meu sonho naquela época era não apanhar do meu irmão, parar de ser chamado de viadinho e trabalhar em laboratório, so..) e passar exatamente essa ideia: continue na escola, estude, sonhe, persista na luta pelo seu sonho.

Embora haja 'n' problemas em trabalhar com criança, esses dois dias (hoje me despedi do 7º ano e amanhã estarei recebendo o 8º) me mostram também é que uma delícia ver o que eles podem produzir! E, o mais importante, ver que eles ainda tem a capacidade de sonhar com um futuro melhor, longe das drogas, tráfico  e prostituição, por exemplo.

Básico foi ver a atual diretora da escola lembrando que eu já dei uma entrevista pro Jornal Nacional (sim, sou famo$a) há 5 anos! Isso na frente dos 210 alunos presentes hoje, que me olharam com cara de "queméessenerdfdpvouarrebentarele" até verem meu tamanho. É engraçado lembrar que eu era ridicularizado até a 8ª série porque era muito baixo...De repente, todos os professores lembraram que me deram aula, quiseram tirar fotos, esqueceram rapidinho quantas vezes me expulsaram de sala de aula, me mandaram para diretoria (sim, eu era um peste. era?).

Hoje, no horário do almoço rolou uma briga. Um garoto 'xingou' e empurrou o outro em uma barra de ferro, que deixou marcas e quase rasgou sua camisa (eu vi a camisa depois e ela estava esgaçada). O empurrado não gostou, obviamente, e partiu pra cima dele, rebocando, literalmente, a cara do primeiro. Sim, examente o que vocês estão pensando, o 'gordinho' chamou o outro de 'viadinho' que, por sua vez, arrebentou a cara do 'gordinho'. E sim, o 'viadinho' é viado mesmo, já assumido. O que é uma glória, já que ele é muito novo ainda. Aliás, ele não se contentou em bater no outro, pegou uma pedra e partiu para cima do 'gordinho', mas foi impedido por uma das professoras nesse momento.


Eu só soube do episódio depois do acontecido e, obviamente, fui na secretaria ver qual seria o procedimento adotado pela diretora. Esporro por cima de esporro nos dois. A atitude dela foi inadequada porque ninguém perde as estribeiras assim, do nada. Há quanto tempo vários alunos não deveriam estar chamando ele de 'viadinho'? O bullying não começa de um dia para o outro. Suas consequências vem de um processo de dias, meses e, muitas vezes, até anos.

Na minha cabeça, ele deveria ter aberto a cabeça do outro, para ele aprender com quem não se deve brincar. Enquanto a gente continuar sendo passivo (ui!) nós continuaremos apanhando nas ruas e sendo expulsos de Shoppings, restaurantes, cinemas...Nossos direitos nós conquistamos, sim, por meio de medidas políticas e diplomáticas, sem violência. Nossa integridade física, porém, deve ser preservada à qualquer custo, sem que tenhamos que nos limitar a nada que os casais heterossexuais não se limitem também.

O problema é que os funcionários e professores, embora tenham material disponibilizado pelo site do MEC, não estão nem um pouco preparados para lidar com essas situações. Ninguém chega para um desses garotos e diz que não há problema em ele ser gay, que ele pode e DEVE viver bem com sua sexualidade, independente de qual ela seja. Eu sofri bullying nessa mesma escola, durante os 4 anos e eu pegava mulher. MUITA mulher (tempos negros...).

Mas a nossa ação social também começa se revoltando diante dessa situação. Amanhã pedirei o email da diretora e vou enviar um texto sobre isso. Quem sabe, consigo mudar a cabeça de uma pessoa pelo menos, não é?

Até lá, continuamos lutanto por educação, por igualdade de direitos e, acima de tudo, por cidadania.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Como lidar?

Com a total falta de criatividade e informação relevante para transmitir via esse blog feio e caído, embora acessado por pessoas maravilhosas que, definitivamente, tem o que dizer;

Com a total falta de noção das pessoas da minha família perguntando toda vez que me veem: "cadê a namorada?";

Com o fato da pessoa com quem você se permitiu fantasiar um envolvimento emocional efetivo estar em outro país;

Com o fato de eu ter pegado alguém que vou ver todos os dias durante bastante tempo e não ter a menor ideia de como agir quando voltar à faculdade;

Com a carência crescente me dizendo que eu preciso mais do que fazer pegação, entretanto, sou tão insensível e frio com as pessoas que pego, que encerro qualquer possibilidade de começar alguma coisa mais séria;

Com o fato das férias estarem em pouco mais da metade;

Com o fato de eu estar saindo para lugares onde gasto mais do que posso, não estar economizando pro Carnaval e ainda não ter arranjado um marido rico;

Com a desmarcação da minha 'última' entrevista pra tal da multinacional e nenhum sinal de vida para remarcá-la até agora;

Com a esposa maravilhosa que eu tenho, que me manda um email de 5 linhas e me faz pensar sobre todos os aspectos da minha vida no meio do almoço, enquanto eu não tenho capacidade para oferecê-la apoio à altura;

Com meus amigos que precisam de mim e a ajuda oferecida muitas vezes é insuficiente;

Com minha relação com a vida variando diaria ou semanalmente, vivendo em uma montanha russa de estado de espírito.

Como lidar, Brasil?

EDIT: Me responderam com um tapa na cara.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Vitória de Ariadna

*pisadas rápidas no chão*

"Meu filho, o que é uma transex?"

Foi assim que eu fiquei sabendo da eliminação precoce da participante Ariadna, a primeira transexual da história do BBB. Fato que o público brasileiro, em geral, não sabe votar em reality show. Acho que a cultura das novelas do 'vilão' e do 'mocinho' atrapalha um pouco as sinapses na hora de votar, porque o critério pra qualquer reality deve ser muito simples: samambaias first. Aquela pessoa que não existe, que não contribui em nada pra casa, que não briga (sim, porque quem é fã de BBB e derivados gosta de ver a casa pegar fogo, quem não gosta?).

Certamente, Ariadna não se encaixa nesse perfil. A veia barraqueira estava lá, latente. Além, claro, da franqueza com a qual ela emitia suas opiniões. Nessa brincadeira, eu li vários artigos sobre o fato dela 'esconder' sua transsexualidade dos outros participantes.

Olha, acho que essa questão é muito mais simples do que parece. Ao contrário de diversos comentários que eu li, Ariadna é, por via das dúvidas, uma mulher. Não é um homem operado. Argumentos? 'Mas ela nunca poderá gerar um filho', qualquer mulher sujeita a uma histerectomia - retirada do útero, e dos ovários, eventualmente - também não pode. 

Entretanto, ninguém diz que uma mulher assim é um 'homem operado', até porque, as mulheres que retiram também os ovários caem no mesmo fato anatômico de Ariadna: não produzem nem os hormônios femininos, quem dirá filhos. A única diferença notável talvez seja a ausência (não posso nem confirmar isso porque não sei como é o processo de construção do canal vaginal de uma transsexual) de lubrificação vaginal, mas que duvido que a maior parte dos homens notaria.

Aliás, o ponto principal, quantos heteros notariam, se transassem com ela, que ela é um 'homem operado'? Fica a pergunta.


Além disso, acho que é uma hipocrisia absurda dizer que ela deveria contar. Porque, diga quem quiser que não, mas é óbvio que o tratamento masculino para com ela seria completamente diferenciado das outras mulheres. Também é importante parar pra pensar que, ao contrário de um travesti que não conta que é um travesti, uma transsexual não iria causar o 'espanto' de ter algo ali que não deveria estar ali. Não haveria constrangimento por parte de ninguém. A transsexualidade é uma característica dela e apenas dela e, desse modo, ela tem o DIREITO de não querer contar pra ninguém. Muitos disseram 'eu não trataria diferente', então pra que saber?

Saber se uma pessoa só come no McDonald's ou no Bob's faz diferença pra você? Pra mim, também não. É o mesmo com a transsexualidade.

Mas o principal: Ariadna levantou uma discussão NUNCA antes levantada pela Globo para o público brasileiro que não fica acordado até às 1h da manhã pra ver profissão repórter e ouvir "Tá pensando que travesti é bagoonça?". Quantas pessoas sabem diferença de um travesti para um transsexual? Meu irmão  estúpido até hoje se refere a ela como um 'traveco'. Além de uma concepção equivocada, é um termo um tanto quanto ofensivo.

Embora eliminada, tenho certeza que Ariadna foi a grande vencedora desse programa. Não ganhou os R$1,5 milhões, mas, certamente, ganhou o respeito e a admiração das pessoas que quiseram ver um pouco além da máscara que cada um de nós usamos todos os dias.

domingo, 16 de janeiro de 2011

A Maldita

Nunca neguei que tenho vocação pra ser a maldita. Call me inconveniente, mas eu tenho sacadas boas pra situações ótimas e só erro em torná-las públicas em alguns casos, nos quais eu sempre peço desculpas (naturalmente, quando bebo, esses casos se tornam...mais comuns). De resto, todo mundo que me conhece sabe que sou de uma ironia e acidez ímpares e, em geral, meus amigos também são assim. Claro, que eu evito fazer isso com pessoas que eu não conheço, mas quando conheço...

Ontem foi o 3º Maravilhoso, Estupendo e De Dar Inveja Em Todo O País Encontro de Blogueiros Cariocas e Simpatizantes (MEDDIETOPEBCS), realizado no Nova América, zona norte do Rio. O primeiro ponto a considerar foi uma constatação, pra mim, um tanto quanto triste: encontro na zona norte não vinga. O shopping era integrado ao metrô, então, não entendi a vibe errada de certos blogueiros de não terem comparecido, assim, sem qualquer motivo aparente.

Porque eu penso o seguinte, o encontro de blogayros não é uma socialização pra falar dos blogs ou coisas do tipo. Embora, eventualmente, alguns barracos assuntos de blog até sejam tocados, o principal do encontro é poder ouvir um pouco da vida das pessoas que você já lê todos os dias (ou com alguma frequência, não importa). É o poder de romper essa fronteira virtual que separa a gente na maior parte do tempo por motivos óbvios: trabalho, dinheiro, etc. É como se pudéssemos reafirmar a importância do conhecer real, em carne em osso. Viajei?

Assim, cada um tem seus motivos e eu não sei o de cada um que não foi, mas, sinceramente?  Não entendo esse sentimento de superioridade que o pessoal que mora na zona sul tem em relação à zona norte e oeste. Claro, falando em qualidade de vida, etc, é meio óbvio, porém, é aquela coisa que falei anteriormente: é questão do encontro e tal. Ninguém está pedindo pra frequentarem a zona norte. É só uma ida, principalmente pelo fato de ser um lugar acessível ao Dan, que ainda está se recuperando do acidente. Custa fazer um esforço? Metrô do lado? Eu moro longe, e iria onde quer que fosse, só pelo prazer imenso da companhia de vocês.

Além disso tudo, porque você pode pegar blogayros. *se defende das farpas*. Ora, tem blogayro de tudo quanto é tipo na blogsville, gordo, magro, de barba, depilado, baixo, alto, enfim, é só escolher o seu! Não vou falar das minhas experiências, porque né, meu trabalho aqui é expor aos outros, não a mim. Se eles quiserem que me exponham. Mas, assim, todo mundo sabe que isso é possível na blogaysfera. E, vou te contar, graças a Deus.

Sem mais enrolação, compareceram ao encontro Dan, Rafa, Lobo, Julio e Bruno. Um amigo meu também foi, uma vez que, após o encontro, íriamos ao Chá da Alice, uma festa no Circo Voador, Lapa. O encontro foi ótimo, falamos uma série de bobagens, gonguei o Lobo até cansar, rimos horrores de várias situações, fofocamos muito. Enfim, um encontro como tem que ser: descontraído.

 Vem, gentchy!

Nisso, as pessoas ficando um pouco chocadas com meu conhecimento sobre quem pegou quem, quando e onde a blogaysfera, me chamando de fofoqueiro e olha. Prefiro informado. Só tenho o trabalho de cruzar informações que os próprios envolvidos me dão. Only.

Então, vamos a maior revelação da noite? Eu já sabia que rolava um climinha entre Lobo e Julio, já tinha sondado e cheguei a conclusão de que o encontro seria per-fei-to. Eu juro que fui sutil no início, assim que chegamos falei "Júlio, senta do lado do Lobo e puxa algum assunto". Júlio, nada. Eu, claro, como bom amigo que sou, sabendo da timidez, troquei de lugares com ele e quando Júlio foi ao banheiro..."E aí, Lobo, rola?", isso tudo sem que os participantes percebessem (ou fingiram que não estavam percebendo muito bem).

Hora de partir, acompanharíamos Lobo até o ponto de ônibus pra ele poder ir pra casa até nisso pensei, caso o Nova América não fosse muito friendly ou os dois fossem lentos demais, não sou um gênio? em segurança. Aí, no caminho para o metrô, Bruno começa a conversar com meu amigo, teoricamente hetero, mas que eu tinha certeza que era gay e depois de 10 minutos de conversa, grita, no meio do shopping:

É OBVIO QUE VOCÊ É BICHA!

Aí nego fala que eu que sou indiscreto. Meu amigo? Riu. Nisso, eu fui removendo Rafa empata foda da conversa de Lobo e Júlio, que hablaram bastante até o metrô. Eu, claro, estrategicamente, situei meu amigo e Bruno sentados juntos, Lobo e Júlio, também. Quando, de repente...

Eu: Rafa, tô chocado.
Rafa: É, eu também.
Eu: Rafa, você não tá entendendo, olha aquilo, tô chocado.
Rafa: Eu sei, eu também.
*intervalo de 10s*
Rafa: Gui, tô chocado!
Eu: Eu tava tentando te dizer isso há muito tempo, porra.

Pessoas no metrô olhando, uma senhora do meu lado fechou os olhos e a outra olhou meio indignada. Porque? Rolou pegação na blogaysfera, né? Local? Metrô Linha 2 Del Castilho sentido Centro. HAHAHAHA. Claro que rolou um sentimento de vitória e tal, mas aí eu e Rafa começamos a falar alto, que aquilo tinha que ser naturalizado, que as pessoas tinham que ser felizes do jeito que elas quiserem. Nesse momento, Lobo e Júlio mega sem-graça por algum motivo que não entendi.

Nos despedimos de Rafa e saltamos na Cinelândia, onde Lobo resolveu pegar um táxi. Claro que, na despedida, rolou aquele beijo cinematográfico e Lobo foi em direção ao táxi. Continuamos seguindo e, alguns segundos depois, Lobo vem com a gente dizendo que o taxista não estava fazendo corrida. Oi? Como assim? O taxímetro ligado e tudo. Claro que senti logo o cheiro de homofobia e falei, no alto do bom senso: "Quer voltar lá, Lobo? Eu mesmo falo com ele se você não quiser." Diante da resposta negativa, comecei logo o discurso, né?

Eu já comentei em alguns blogs sobre fazer barulho nesse tipo de situação. Acho que as coisas não se conquistam se ficarmos quietos diante desse tipo de situação. Se nós não nos fizermos ouvir, quem fará? Porque né, já sabemos da falta de competência das autoridades e acho um ABSURDO termos que nos privar de gestou simples de afeto como um beijo de despedida. Nada tinha ali de agressão aos bons costumes, nada tinha ali de maldoso. Então quem esse taxista pensa que é, negando a corrida a alguém só pelo fato de ser gay?

Porque eu jamais vou deixar de fazer determinadas coisas simples como beijar alguém, ainda mais em lugares friendly como é a Lapa, pelamor. Fato foi que Lobo conseguiu pegar um táxi na Lapa mesmo. Fomos à festa e, logo no início, eu, finalmente, consegui arrancar esse amigo do armário, do modo mais sutil possível,  e espero que não tenha causado traumas. E acho que não, pela mensagem que ele mandou pra Bruno pela manhã. 

A festa tava mediana, aproveitei razoavelmente. Fomos embora, levar meu amigo no ponto quando um bando de pitboys ou sei lá o que, provavelmente voltando de alguma boatezinha hetero escrota e fedorenta do centro começaram a gritar coisas como "Vai viado, vem aqui dar o cu" etc. Claro que eu ignorei, mas aí perguntou, não existe homofobia? Porque, pelo meu conhecimento, ninguém sai por aí gritando "Vai heterozinho, vem aqui comer minha buceta" ou "Vem aqui me dar, sua heterozinha". O mais engraçado é que só estávamos conversando, baixo, sem qualquer tipo de expressão de afeto. Tudo porque aquele caminho é de um matadouro lugar bem conhecido do centro: Cine Ideal.

Mas, sobrevivemos.

PS: Passei o post inteiro pensando se deveria fazer isso. Mas, como a pessoa me chamou de maldita, futriqueira, fofoqueira e derivados tantas vezes, merece.

"Curtam bastante! Não quero foto de beijo meu circulando por aí, e dá mais um beijo no Júlio por mim :p. No busão já."

De Lobo para Guilherme. 15/01 23:46.

Maldita? Sim, beijos.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

The 5 Day Réveillon: 0x0 ou 00

Antes de começar o Season Finale da edição dupla dos dias 1 e 2, tem um diálogo do episódio passado que esqueci de retratar. Só pra lembrar: eu estava bêbado. Minha mãe também. Ela conseguiu me ligar por volta das 2 da manhã e aí:

Mãe: *Todo blá blá blá clichê de ano novo*.
Eu: Ah, mãe, sabe o que eu desejo pra você? Muito piru...
Mãe: Ai, filho, só preciso de um, você sabe, né...
Eu: Sei, o do fulano...
Mãe: É, eu queria tanto que vocês o aceitassem...
Eu: Se ele não tivesse tentado te bater...Mas isso é passado, sabe como eu passei o Ano Novo?
Mãe: Como?
Eu: Dando um beijo triplo!
Mãe: Ai, meu filho, eu não estou preparada pra isso ainda não. Me dá mais um tempo...
Eu: Porra, mãe, já faz mais de um ano...
Mãe: Eu sei! Mas eu tenho meu tempo...Só vai com calma entre 4 paredes...
Eu: Mãe! Que tipo de filho você acha que tem?
Mãe: Um filho que dá beijo triplo no Ano Novo, no meio da rua?
Eu: *Chocado*
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Season Finale

O dia 1 foi um dia sem graça. Primeiro porque o amigo do Bruno que foi passar o Réveillon com a gente (e que ficou excluído do beijo triplo) estava roncado que nem uma porca mal amada, impedindo nosso sono até a hora em que ele foi embora, por volta de 12:00. Chegamos às 7 e pouca, então conversamos muitas coisas que eu já não lembro mais, mas em uma situação um tanto cômica: os dois pelados enrolados em dois lençois que eles estavam divindo comigo, e eu no meio. #surubafeelings

Ao longo do dia nada de muito interessante aconteceu, estavámos aguardando a noite para irmos para o inferno Cine Ideal. Entretanto, tínhamos planos de ir pra 00 (uma boate famosa no Rio, que fica na Gávea, Zona Sul) no domingo, o que pesaria no orçamento. Então, acabamos indo à uma private no cu do mundo em Niteroi, que foi legalzin e tal, mas serviu mesmo só pra torrarmos 10 reais de passagem.

Acordamos no domingo já pensando como seria a 00 e eu já combinando com um chileno que estava pra pegar desde 2010 pra ir pra lá. A 00 é conhecida por seu público alvo: gente rycah e bonita. Em geral, o nível do público lá é bem superior a maior parte das boates, talvez pelo fato de uma long neck custar 8 reais. Fato é que fui lá duas vezes, nas duas não peguei ninguém. E eu, que já me acho a última bolacha do pacote, fiquei em crise, né? Porque o problema não é pegar em si, é não se sentir desejado. 

Acho hipocrisia falar que vai pra night pra dançar. Porque se você quer dançar só, então porque vai pra night gay? Pode ir pra night hetero que não vai fazer diferença, né? Porque você até pode sair sem intenção de pegar alguém, mas todo mundo que vai pra night, no fundo ou no raso, quer se sentir desejado. Você se arruma pra isso. O problema que acontecia na 00 comigo era esse: lá, eu não me sentia desejado. Até brinquei com o nome da boate: 0x0.

Mas, com objetivo de começar o ano com o pé direito (e esquerdo também, porque não sou manco) já fui na vibe:

 Vem, que tô facim.
Entao fomos, embelezados em Cristo, para a tal boate. Ficamos algumas horas esperando ônibus e tiramos várias fotos como bom pobre que se arruma pra sair, essa foi a única decente:
Sou vesgo e você?
Chegamos lá com uma fila absurda. Ficamos duas horas e meia na fila. Nesse meio tempo, eu e meu amigo conseguimos convencer o Diego a entrar com a gente. Embora ele tenha feito a diva durante longos minutos, acabou cedendo e lá fomos nós. 

Eu e Bruno já começamos os trabalhos e, resumindo: arrastei um cara que tava com amigos do ex pra porta do banheiro, depois de pegar um espanhol lindo (finalmente entrei na Europa BEM) fui vetado porque era 'novinho demais' (fiquei chocado muito tempo), depois fiquei pegando o chileno que chegou bem tarde, dei um perdido nele e tentei pegar um paulista (por isso que não gosto de paulista, são sempre nojentos, com poucas exceções, claro) que me deu meu primeiro toco (nem doeu muito, eu tava com uma sensação horrível de traição, nervoso, devo ter gaguejado). Com isso, finalmente quebrei a maldição do 0x0. Ufa!

Bruno? Pegou um carinha, depois pegou o amigo dele, depois pegou um urso que não tinha pegado ninguém ainda e estava dando vodka pra ele, aí ele foi buscar mais e quando voltou Bruno estava atracado com o amigo do carinha de novo, então o urso deu um show e saiu desiludido do Rio. Depois ele pegou um cara que ele já conhecia do Cam4 (medo). Nesse meio tempo eu dando maior força pra ele fazer pegação, "trair" o urso, etc. Sou Aquele amigo que joga o nome do coleguinha na boca do sapo mesmo um amigo ruim?

Voltamos pra casa e quando chegamos, conversamos um pouco, a única coisa que pude pensar foi:

Obrigado por terem me dado o melhor Réveillon da minha vida.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

The 5 Day Réveillon: Fireworks

A ressaca moral bateu forte no dia 31. Fiquei morgando um tempo até decidir que nada deveria ou poderia estragar meu Réveillon. 2010 já não tinha sido o melhor ano e eu não podia passar pra 2011 nessa vibe. Pois bem, o dia inteiro foi só preparação para a passagem de ano. O roteiro era simples: iríamos pra Copacabana ver os fogos e depois partir pra Ipanema com destino, obviamente, à Farme de Amoedo ou ao Arpoador mesmo.

Chegamos lá e andamos séculos pra encontrar o amigo de fulano, depois mais pra siclano, e foi assim até quase meia noite, quando estavámos em uma muvuca em frente ao Copacabana Palace. Eu nem tinha me dado conta que estávamos prestes a fazer a contagem e proferi: "Passaremos o Réveillon dando um beijo triplo, pra que nossa vida seja só putaria em 2011".

Eu não lembro se falei isso mesmo, mas dei a ideia e como Bruno e meu amigo não se incomodaram, resolvemos chocar a sociedade cristã ali mesmo, EM FRENTE AO COPACABANA PALACE. Só sei que rolou um motimzin, mas nós cagamos e continuamos vendo os fogos. E olha.


Foram os 16 minutos mais tocantes da minha vida. A trilha sonora foi fantástica e a sincronia impecável. Ficamos mais algum tempo em Copa, quando eu encontrei um amigo que disse que poderia nos levar rapidamente numa social do trabalho dele por lá mesmo. Como de graça até injeção na testa, fomos. Sei que ao subirmos no elevador junto com um cara gatinho, no 3º andar ele parou. Pensamos que pudesse ser sobrepeso. Então o gatinho saiu do elevador, uma vez que éramos 5.

E o elevador não subiu. Nem desceu. Procuramos a escada e descobrimos que elas estão inseridas diretamente no apartamento. Passei boa parte do tempo xingando mentalmente o arquiteto filho da puta que projetou aquela merda.

Ligamos pro porteiro e ele falou que a culpa era nossa e para não estressá-lo. OIIIII? Não estressá-lo? Como assim, brazeel, alguém me explica? Nesse meio tempo, decidimos bater na porta de um apartamento que tava rolando uma baile funk festa e o cara que atendeu, sendo sensato, pediu para que nós entrássemos e fossemos direto pra escada. Aí uma racha maldita garota EXPULSOU a gente, como se nós quiséssemos entrar naquela festa ESCROTA. Olha, o ódio subiu e xinguei aquela vaca de todos os nomes que pensei.

Depois de algum tempo esperando e chocados com a possibilidade de passarmos o Réveillon inteiro lá, naquela microsala, o cara sensato abriu a porta e deixou nós sairmos, mas não antes de eu dar meu telefone pro gatinho. UFA! Fomos pra Ipanema, onde encontrei alguns amigos e resolvi piranhar. Daí vi um gringo, de longe era até bonito o cara, mas de perto era feio pra caralho nem tanto.

Então ele falou as palavras mágicas: sou alemão. Pronto, podia ser feio, sujo e fedorento. Porém, na hora que eu ia beijar o bendito alemão, vi um amigo e fui falar com ele. Não sei se vou o clima de Ano Novo, mas eu sei que peguei meu amigo na frente dele, depois voltei pra falar com ele e peguei ele também. Trocamos telefones e ele me mandou uma mensagem que eu não tinha como responder por falta de crédito.

Amanheceu e, aos sorrisos, comentamos nosso louco Réveillon. Pegamos o ônibus só pensando no o dia primeiro nos reservava: Cine Ideal.

Próximo Episódio Especial Duplo: 0x0 ou 00