Minha vida tem se resumido a um seriado tragicômico. Daquele cheio de piadas mas sem as risadas de fundo (ou pior, com elas, eventualmente) enquanto eventos horríveis acontecem.
É importante isso, perceber que a vida não está boa, que está ruim.
Estou batalhando com todas as minhas forças para conseguir outro estágio, em uma área e indústria que eu realmente me identifique. Tenho cada vez mais considerado a ideia de ir pessoalmente ao RH, entregar meu currículo e conversar sobre o porquê de eu querer trabalhar naquele lugar. Minha vontade está atingindo um outro nível.
Também tenho me esforçado para ser eu mesmo para as pessoas. É difícil acreditar que alguém pode gostar de você como você é, quando você mesmo não gosta. Talvez seja esse o motivo pelo qual as pessoas que não querem se envolver comigo aparecem namorando menos de 1 mês depois. Talvez eu não tenha me mostrado como sou, e a artificialidade em uma relação é inaceitável.
O que me preocupa, apesar de toda essa noção clara das coisas é que eu não consigo deixar o passado ir. Não consigo entender porque não consegui aquela vaga naquela multinacional alemã em que fui elogiado. Não consigo entender porque não disse que tinha as 30h semanais naquela outra. Ou porque simplesmente não me inscrevi para uma terceira.
Ainda, porque não deu certo com Eah? Por que eu não mereci um fora sincero? O que eu fiz de errado? Por que o garoto da PG resolveu se afastar? Por que ele não queria se envolver e agora está namorando? Por que eu menti para ambos em relação ao que eu estava sentindo? E por que eu não consigo esquecer?
Apesar de todo meu esforço, ainda estou preso ao passado. Tentando consertar situações que não podem mais ser consertadas. Não é por AQUELE estágio, por Eah ou pelo garoto da PG. É por mim. Está um fardo muito pesado carregar todos esses fracassos. E isso acontece porque eu não consigo deixar para lá. Não consigo esquecer. Não consigo me dar conta de que erros são cometidos e o melhor que temos a fazer é aprender com eles.
Não consigo superar essas situações. E isso está me matando.
Tem um texto do Rubem Alves, "Milho de Pipoca", comenta sobre as mudanças que a vida toma, ao nos comparar com milho de pipoca. Paro para pensar na minha e morro de medo de chegar a triste conclusão de que sou um peruá, fadado ao medo e à dureza. Pelo resto da vida.