Ele mora longe.
Ele estava sumido.
Ele chegou de fininho. Chegou brincando.
Ele foi apresentado e já quis logo saber de mim. E eu dele.
Ele ligou, conversamos amenidades.
Brincamos, seríamos casados, então.
Conversamos mais. Mais. E um pouquinho mais.
Ele ligou mais algumas vezes, e brincamos mais.
Fomos falando da intimidade, como grandes amigos.
Eu o lia. Ele me lia.
Eu ria dele. Eu ria com ele. Eu ria pra ele.
E, assim, foi brincando que, de repente, só brincar não tinha mais graça.
E ele disse "acho que estou levando a brincadeira a sério".
Eu retruquei "eu não sei até onde posso levar a sério, estou esperando você me dizer".
E assim, nada mais havia de brincadeira.
As ligações foram constantes, as conversas online, idem.
Os planos começaram a ser feitos.
E desfeitos.
A vida começou a mostrar que não trilha caminhos a nossos pedidos.
Ele é apenas ele. Ele é apaixonante.
Ele não pode beber skin. Ele adora beber skol.
Eu não posso beber skol.
Ele gosta de heineken. Eu também.
Ele não sabe que eu odeio falar ao telefone. Mas fico horas falando com ele.
Ele me fez pensar sobre mim.
Ele me fez pensar sobre ele.
Ele me fez pensar sobre nós.
Ele me fez querer ficar apenas com ele pra sempre.
Ele também me fez perceber que eu devo ficar ainda com outras pessoas antes de nos conhecermos.
Ele me fez perceber que conhecê-lo é uma prioridade.
Ele me fez sonhar com ele.
Ele já sentiu ciúmes.
Ele ainda é anônimo. Anônimo famoso. Para vocês.
Pra mim ele é conhecido, daqueles de infância.
Ele continua só ele, só pra mim. E mais ninguém.
Pelo menos, até amanhã.
Ironicamente, no dia 24/12.
Ironicamente, meu presente de Natal.
Aos curiosos, apenas uma coisa: pra bom enten me pala bas!