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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

The 5 Day Réveillon: 0x0 ou 00

Antes de começar o Season Finale da edição dupla dos dias 1 e 2, tem um diálogo do episódio passado que esqueci de retratar. Só pra lembrar: eu estava bêbado. Minha mãe também. Ela conseguiu me ligar por volta das 2 da manhã e aí:

Mãe: *Todo blá blá blá clichê de ano novo*.
Eu: Ah, mãe, sabe o que eu desejo pra você? Muito piru...
Mãe: Ai, filho, só preciso de um, você sabe, né...
Eu: Sei, o do fulano...
Mãe: É, eu queria tanto que vocês o aceitassem...
Eu: Se ele não tivesse tentado te bater...Mas isso é passado, sabe como eu passei o Ano Novo?
Mãe: Como?
Eu: Dando um beijo triplo!
Mãe: Ai, meu filho, eu não estou preparada pra isso ainda não. Me dá mais um tempo...
Eu: Porra, mãe, já faz mais de um ano...
Mãe: Eu sei! Mas eu tenho meu tempo...Só vai com calma entre 4 paredes...
Eu: Mãe! Que tipo de filho você acha que tem?
Mãe: Um filho que dá beijo triplo no Ano Novo, no meio da rua?
Eu: *Chocado*
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Season Finale

O dia 1 foi um dia sem graça. Primeiro porque o amigo do Bruno que foi passar o Réveillon com a gente (e que ficou excluído do beijo triplo) estava roncado que nem uma porca mal amada, impedindo nosso sono até a hora em que ele foi embora, por volta de 12:00. Chegamos às 7 e pouca, então conversamos muitas coisas que eu já não lembro mais, mas em uma situação um tanto cômica: os dois pelados enrolados em dois lençois que eles estavam divindo comigo, e eu no meio. #surubafeelings

Ao longo do dia nada de muito interessante aconteceu, estavámos aguardando a noite para irmos para o inferno Cine Ideal. Entretanto, tínhamos planos de ir pra 00 (uma boate famosa no Rio, que fica na Gávea, Zona Sul) no domingo, o que pesaria no orçamento. Então, acabamos indo à uma private no cu do mundo em Niteroi, que foi legalzin e tal, mas serviu mesmo só pra torrarmos 10 reais de passagem.

Acordamos no domingo já pensando como seria a 00 e eu já combinando com um chileno que estava pra pegar desde 2010 pra ir pra lá. A 00 é conhecida por seu público alvo: gente rycah e bonita. Em geral, o nível do público lá é bem superior a maior parte das boates, talvez pelo fato de uma long neck custar 8 reais. Fato é que fui lá duas vezes, nas duas não peguei ninguém. E eu, que já me acho a última bolacha do pacote, fiquei em crise, né? Porque o problema não é pegar em si, é não se sentir desejado. 

Acho hipocrisia falar que vai pra night pra dançar. Porque se você quer dançar só, então porque vai pra night gay? Pode ir pra night hetero que não vai fazer diferença, né? Porque você até pode sair sem intenção de pegar alguém, mas todo mundo que vai pra night, no fundo ou no raso, quer se sentir desejado. Você se arruma pra isso. O problema que acontecia na 00 comigo era esse: lá, eu não me sentia desejado. Até brinquei com o nome da boate: 0x0.

Mas, com objetivo de começar o ano com o pé direito (e esquerdo também, porque não sou manco) já fui na vibe:

 Vem, que tô facim.
Entao fomos, embelezados em Cristo, para a tal boate. Ficamos algumas horas esperando ônibus e tiramos várias fotos como bom pobre que se arruma pra sair, essa foi a única decente:
Sou vesgo e você?
Chegamos lá com uma fila absurda. Ficamos duas horas e meia na fila. Nesse meio tempo, eu e meu amigo conseguimos convencer o Diego a entrar com a gente. Embora ele tenha feito a diva durante longos minutos, acabou cedendo e lá fomos nós. 

Eu e Bruno já começamos os trabalhos e, resumindo: arrastei um cara que tava com amigos do ex pra porta do banheiro, depois de pegar um espanhol lindo (finalmente entrei na Europa BEM) fui vetado porque era 'novinho demais' (fiquei chocado muito tempo), depois fiquei pegando o chileno que chegou bem tarde, dei um perdido nele e tentei pegar um paulista (por isso que não gosto de paulista, são sempre nojentos, com poucas exceções, claro) que me deu meu primeiro toco (nem doeu muito, eu tava com uma sensação horrível de traição, nervoso, devo ter gaguejado). Com isso, finalmente quebrei a maldição do 0x0. Ufa!

Bruno? Pegou um carinha, depois pegou o amigo dele, depois pegou um urso que não tinha pegado ninguém ainda e estava dando vodka pra ele, aí ele foi buscar mais e quando voltou Bruno estava atracado com o amigo do carinha de novo, então o urso deu um show e saiu desiludido do Rio. Depois ele pegou um cara que ele já conhecia do Cam4 (medo). Nesse meio tempo eu dando maior força pra ele fazer pegação, "trair" o urso, etc. Sou Aquele amigo que joga o nome do coleguinha na boca do sapo mesmo um amigo ruim?

Voltamos pra casa e quando chegamos, conversamos um pouco, a única coisa que pude pensar foi:

Obrigado por terem me dado o melhor Réveillon da minha vida.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

The 5 Day Réveillon: Fireworks

A ressaca moral bateu forte no dia 31. Fiquei morgando um tempo até decidir que nada deveria ou poderia estragar meu Réveillon. 2010 já não tinha sido o melhor ano e eu não podia passar pra 2011 nessa vibe. Pois bem, o dia inteiro foi só preparação para a passagem de ano. O roteiro era simples: iríamos pra Copacabana ver os fogos e depois partir pra Ipanema com destino, obviamente, à Farme de Amoedo ou ao Arpoador mesmo.

Chegamos lá e andamos séculos pra encontrar o amigo de fulano, depois mais pra siclano, e foi assim até quase meia noite, quando estavámos em uma muvuca em frente ao Copacabana Palace. Eu nem tinha me dado conta que estávamos prestes a fazer a contagem e proferi: "Passaremos o Réveillon dando um beijo triplo, pra que nossa vida seja só putaria em 2011".

Eu não lembro se falei isso mesmo, mas dei a ideia e como Bruno e meu amigo não se incomodaram, resolvemos chocar a sociedade cristã ali mesmo, EM FRENTE AO COPACABANA PALACE. Só sei que rolou um motimzin, mas nós cagamos e continuamos vendo os fogos. E olha.


Foram os 16 minutos mais tocantes da minha vida. A trilha sonora foi fantástica e a sincronia impecável. Ficamos mais algum tempo em Copa, quando eu encontrei um amigo que disse que poderia nos levar rapidamente numa social do trabalho dele por lá mesmo. Como de graça até injeção na testa, fomos. Sei que ao subirmos no elevador junto com um cara gatinho, no 3º andar ele parou. Pensamos que pudesse ser sobrepeso. Então o gatinho saiu do elevador, uma vez que éramos 5.

E o elevador não subiu. Nem desceu. Procuramos a escada e descobrimos que elas estão inseridas diretamente no apartamento. Passei boa parte do tempo xingando mentalmente o arquiteto filho da puta que projetou aquela merda.

Ligamos pro porteiro e ele falou que a culpa era nossa e para não estressá-lo. OIIIII? Não estressá-lo? Como assim, brazeel, alguém me explica? Nesse meio tempo, decidimos bater na porta de um apartamento que tava rolando uma baile funk festa e o cara que atendeu, sendo sensato, pediu para que nós entrássemos e fossemos direto pra escada. Aí uma racha maldita garota EXPULSOU a gente, como se nós quiséssemos entrar naquela festa ESCROTA. Olha, o ódio subiu e xinguei aquela vaca de todos os nomes que pensei.

Depois de algum tempo esperando e chocados com a possibilidade de passarmos o Réveillon inteiro lá, naquela microsala, o cara sensato abriu a porta e deixou nós sairmos, mas não antes de eu dar meu telefone pro gatinho. UFA! Fomos pra Ipanema, onde encontrei alguns amigos e resolvi piranhar. Daí vi um gringo, de longe era até bonito o cara, mas de perto era feio pra caralho nem tanto.

Então ele falou as palavras mágicas: sou alemão. Pronto, podia ser feio, sujo e fedorento. Porém, na hora que eu ia beijar o bendito alemão, vi um amigo e fui falar com ele. Não sei se vou o clima de Ano Novo, mas eu sei que peguei meu amigo na frente dele, depois voltei pra falar com ele e peguei ele também. Trocamos telefones e ele me mandou uma mensagem que eu não tinha como responder por falta de crédito.

Amanheceu e, aos sorrisos, comentamos nosso louco Réveillon. Pegamos o ônibus só pensando no o dia primeiro nos reservava: Cine Ideal.

Próximo Episódio Especial Duplo: 0x0 ou 00

domingo, 9 de janeiro de 2011

The 5 Day Réveillon: O Que Acontece Comigo Quando Eu Bebo?

O dia 30 reservava muitas expectativas. Eu iria conhecer todos os melhores amigos do Bruno, em uma festa regada a pouca comida MUITA bebida. Muita. Muita mesmo.

O dia foi tranquilo apesar de estarmos todos ansiosos pelo início da festa e eu ter me cansado de tanto zuar meu amigo e Bruno, com piadas tão escrotas que nem eu sabia que tinha capacidade pra uma falta de criatividade tão grande.

Um pouco antes deles chegarem eu já estava bebendo, pouco, mas bebendo e assim que eles chegaram a gente começou a beber vodka com energético, com algumas cervejas no meio e, de repente estava trêbado já. Em geral, eu não sou um bêbado sem noção no seguinte aspecto: sei quando estou mal, dificilmente passo do meu ponto, me controlo muito pra isso. Mas não nesse dia.

A conversa até começou bem, todos se divertindo, rindo, todo mundo feliz. E aí, eu comecei com meu pior defeito quando eu bebo: querer falar as verdades pras pessoas. 

Aquelas verdades despretensiosas do tipo: "Ah, eu fiz cirurgia pra tirar as orelhas de abano (uma garota LINDA fala isso)", o que eu respondo: "Ah, nem parece, dá pra ver que tem mais um pouco". (...)

Daí foi pra pior, eu tava muito mal, queria continuar bebendo (porque, meu Deus?), continuei sendo chato, brigando com as pessoas. Até tomei consciência da minha situação, saí da onde estava todo mundo e chorei. Chorei horrores. Minha vontade era de simplesmente ir embora pra minha casa e passar o Réveillon dormindo, porque eu estava com tanta vergonha. 

Pra vocês terem ideia do ódio que despertei: essa pessoa pequena vomitou em mim quando foi dormir. Aí ele foi lá fora contar pras pessoas, trêbado, e o que todo mundo fez? APLAUDIU! Gente, olha, eu super entendo, na situação deles, eu acho que também aplaudiria. Eu contei muito com uma amiga do Bruno, ela conversou comigo enquanto eu estava chorando cachoeiras, ela me limpou do vômito (aff...), enfim. E nem lembro de tê-la agradecido.

Acho que isso nunca tinha acontecido comigo antes. Já até fui bêbado chato algumas vezes, mas em geral porque eu fico carente, então quero abraços, beijos etc. No final, é apenas uma forma de sabotar minha aceitação. Eu não sou hipócrita, eu odeio ser excluído. Tem gente que não se importa de ser excluído em determinados grupos, mas eu me importo. Muito. Em todos. A minha vida inteira foi pautada em exclusão. No ensino fundamental, eu ficava com todos os estranhos e excluídos da sala. No ensino médio, eu ficava com quem conseguia me aturar.

Como posso pensar diferente hoje? Na faculdade eu consegui um feito incrível: tirando uma inimizade, eu posso me considerar até 'pop'. Nesse dia, eu estava tão preocupado em causar uma boa impressão que a primeira coisa que eu fiz foi ficar bêbado e me sabotar. E isso é uma merda. Eu nem consegui pedir desculpas pra eles. Eu fui mega grosso com a namorada da amiga do Bruno que me limpou e tal, ao ponto dela falar "Pô, Gui, tá tudo bem, vai lá dormir, você está estragando o clima..." e eu respondo o que? "Sou desses".

VOCÊ É DESSES É O CARALHO, FILHO DA PUTA. VOCÊ JÁ FOI EXCLUÍDO A VIDA INTEIRA, AGORA QUE VOCÊ TEM CONSCIÊNCIA DE MUDAR VAI FICAR AGINDO ASSIM? VOCÊ GOSTA DO ÓDIO ALHEIO, É?

Próximo Episódio: Fireworks

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

The 5 Day Réveillon: A Partida e a Chegada

Eu tinha pensado que deveria começar 2011 falando de 2010. A retrospectiva clichê que todos fazemos, nem sempre por escrito, mas mentalmente, avaliando de forma geral como foi o ano e propondo metas e desafios para 2011.

Porém, eu penso que a virada do ano está, de alguma forma, relacionada tanto com o ano anterior quanto o futuro. Eu, sinceramente, não lembro da minha virada de 2008 (eu não estava bêbado), mas sei que teve um 'quê' de libertação. Acho que eu não passei com minha família pela primeira vez. E foi sobre isso que se tratou 2009: libertação. Libertação das rédeas da minha mãe, libertação da minha heterossexualidade que nunca existiu, libertação de diversas concepções equivocadas que eu tinha.

Enfim, foi o ano em que tudo mudou na minha vida.

A virada de 2009 foi boa, passei com alguns amigos, com direito a bebida, mas rolou estresse e o final da noite foi péssimo. 2010 foi daquele jeito. Muitos altos e baixos. Mais baixos que altos.

Eu queria um réveillon que renovasse minhas energias e motivações, que me permitisse crescer e aprender, de forma geral. Eram esses os meus anseios para 2011. Por isso, resolvi abdicar do post '2010', pelo menos por agora (quem sabe eu o faça no final de 2011). E simplesmente falar de como foi meu incrível réveillon de 5 dias.

Como eu já tinha falado por aqui, meu réveillon foi ao lado de um amigo e de Bruno. Minha ideia inicial era começar a festa já no dia 30, pra terminar 2010 daquele jeito. Mas eu mesmo me antecipei e acabei migrando para Niteroi no dia 29 mesmo. Para o desespero da minha mãe.

Aliás, isso é importante de comentar. As coisas na minha família são sempre muito hipócritas. É sempre aquela de ideia de "não precisamos de ninguém, mas precisamos ficar todos juntos", então minha mãe sempre gritando que não fazia questão da minha presença nem no Natal nem no Ano Novo, mas foi só eu dizer que iria passar fora que ela surtou. Literalmente. Com direito a briga por que eu estava 'levando muitas roupas'. Aham, Cláudia, senta lá...

Arrumei minha mala e fui, encontrei meu amigo na Lapa, compramos bebidas - aka Vodka - e partimos em direção à perdição, ou seja, Fonseca bairro que fica ao lado da Ponte Rio-Niteroi, cheio de favelas e gente estranha, com um levanta poeira a cada 5 minutos. Chegamos lá e fomos super bem recebidos pela mãe, vó e irmã de Bruno.  Ficou tarde e eu já quis começar os trabalhos de réveillon.

Começamos a ficar altos, quando de repente, o clima de pegação se instala no quarto e meu amigo e Bruno começam a se pegar loucamente. De repente chega a primA de Bruno, e pessoas me falam que ela é BV e blah blah blah.

Pausa para comentário: eu não tenho mais paciência pra desenrolar com mulher. Dá muito trabalho por muito pouco. Por isso que eu acho que nasci gay, porque se tivesse nascido lésbica...

Sei que depois de desenrolar 10 horas com a menina, ela me faz a pergunta crucial: "Qual a diferença entre princípio ativo e medicamento?". Só pensei: "-QQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQ". E comecei a explicar. Só sei que em algum momento ela cansou e me agarrou. Acho que a chave pra pegar mulher que quer te pegar é falar sobre assunto chato e que você sabe muito, porque olha. Só sei que eu estava sendo estuprado pela menina enquanto pensava "COMO ELA PODE SER BV, BRASIL?".

Ela foi embora e eu fiquei usando o PC enquanto meu amigo e Bruno se atracavam na cama. Fui ao banheiro e quando voltei a pegação já estava em um nível além, assim como o nível estratosférico de álcool no meu sangue. Só proclamei: "Gente, já que vocês perderam o pudor, - blah blah enquanto eu falava da ausência de vida sexual pra mim - eu vou ver uns vídeos pornôs por aqui, porque eu to precisado".

Próximo episódio: o que acontece comigo quando eu bebo?