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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Let me teach you something

Estava lendo o blog Babado Certo e me deparei com uma postagem super interessante do artigo abaixo:


Nem preciso comentar muito, né?

Tudo o que a gente já sabia. Agora comprovado. Agora um argumento sólido e consistente, ao contrário da putaria que esses crentes filhos da puta acham que nós somos crença de do cristianismo e protestantismo, pelo menos determinadas religiões.

Ser gay não altera, de modo algum, o caráter da pessoa. Ser gay é como ser hetero, who cares? Eu sou tão capaz de criar bem meu filho quando minha mãe me criou e quanto você, hetero, é.

Pra quem não tem noção de estatística, esse estudo é válido, principalmente, porque o espaço amostral dele é bem significativo, uma vez que envolvem mais de 3000 casas de homossexuais - homens e mulheres - que tinham filhos em idade escolar - teoricamente, o momento no qual a criança é mais suscetível à influências externas - e durante mais de 5 - CINCO - anos. Não foi um estudo forjado pelo tão aclamado lobby gay, o destruidor da instituição familiar.

Mais um argumento à favor da adoção gay.

Mais um argumento à favor da causa gay.

Mais um argumento à favor da vida, afinal.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Eu sou Blogayro

Pra quem não sabia, agora sabe. 

Pra que desconfiava, agora tem certeza.

Eu, particularmente, acho que eu deveria ter começado o blog com esse post. Mas, como disse uma amiga minha, eu não tive "cu" pra isso. Sim, não tive coragem. Mas eu acho que vocês merecem um Guilherme mais integral.

Eu nunca achei que ser gay era ser uma abominação, doença ou qualquer tipo de problema. Mas, eu sempre me perguntei porque eu tinha sido escolhido parar viver uma vida cheia de preconceito e discriminação alheios. Por boa parte da minha vida (ou seja, uns 6-7 anos) eu achei que eu seria feliz, mesmo tendo uma vontade absurda de ficar com outros caras, com uma mulher apenas. Passei todo meu ensino fundamental II (5ªa á 8ª) e todo o meu ensino médio com esse pensamento. De que um dia eu acharia aquela mulher linda e perfeita, nós nos casaríamos, teríamos filhos e seríamos o estereótipo da família feliz.



Mas, como diz um outro colega meu, "existem coisas que a gente não precisa procurar, elas vem até a gente". O fato foi que um dia antes do churrasco de despedida do 1º período da minha turma, eu tinha beijado um cara. E foi horrível. E eu fiquei com a cabeça a mil.

E então, as coisas foram naturalmente acontecendo. Meu critério para contar que eu sou gay sempre foi confiança ou "el@ vai acabar descobrindo quando me ver na night". E isso era um segredo que algumas pessoas não tinham sensibilidade o suficiente para guardar.

O que importa é que ser gay é apenas uma das minhas milhões de facetas. Uma, apenas, das minhas várias qualidades. Eu não estou assumindo nada, pois não tenho culpa de nada. Estou apenas contando a vocês uma das minhas características que talvez não seja tão evidente. Se eu tenho alguns treijeitos ou não, isso não é porque eu sou gay ou o inverso. Esse é o Guilherme. Ao contrário do Lobo, Foxx e do Visão, meu rosto aparece aqui, vocês sabem meu nome, onde moro e o que faço da vida (e não, rapazes, isso não foi uma crítica).

Pelo menos aqui, no blog, eu quero ser o Guilherme sem muros, o Guilherme que pode comentar o que quiser que não vai passar pelo crivo de gente hipócrita (e mesmo aqui, sei que isso vai acontecer), que não será alvo de olhares repudiosos que me causam mais repúdia do que me deixam mal.

Se um dia eu neguei pra você (e ainda haverão pessoas das quais terei que omitir isso, por motivos profissionais - infelizmente, mas temporariamente), foi porque eu não queria que isso prejudicasse a relação. As pessoas que eu mais amo nesse mundo sabem que sou gay, embora a mais especial de todas não aceite, eu sei que nunca vai me deixar na mão, que nunca vai deixar de me amar por eu ser algo que ela não aceita.

Se isso for mudar a minha relação com alguém, eu quero que esse alguém se foda pense antes de fazer qualquer coisa. O que interessa em mim, a respeito da minha pessoa, é o meu caráter, minha idoneidade, meu ser, que ultrapassa e muito minha face gay.

Eu não tenho medo ou receio do que meus familiares que, porventura, lerem isso, falarão. Eu estou protegido. Por mim mesmo. Até porque, sabemos bem, que vocês tem muito pouco a falar de mim. Eu sou de longe a pessoa que tem mais futuro nessa família porca e hipócrita que nasci. Um bando de gente invejosa e mesquinha que acha que é melhor do que os outros porque tem um carrinho ridículo ou uma casa de praia. /vergonhalheia.

Eu sou uma pessoa MUITO bem resolvida para viver sob máscaras como essa. Eu sou e quero continuar sendo feliz. Do jeito Guilherme de ser.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

De pai para filho

Aproveitando que a temática gay acabou surgindo por aqui, aliás, esse post deveria preceder o anterior, porque foi nele que eu pensei primeiro, ontem eu assisti no Programa Pânico! Na TV, que eu já não via há séculos, o reencontro do Evandro Santos com a mãe, que ele não via há 21 anos.

Sabem qual foi o motivo da "separação"?


Exatamente isso. Ele saiu de casa com a seguinte frase "Não quero viado dentro de casa. Ou vira homem ou sai de casa", agora, imaginem, o que um adolescente de 14 anos, em pleno final de anos 80, pensaria ao ouvir isso? Não bastasse todo o preconceito que ele tinha que sofrer no lugar onde morava (e sabemos que na periferia, onde a grau de instrução é menor, o preconceito é maior, embora mesmo nos lugares mais valorizados ainda exista muito) e ainda tinha que sofrer em casa?
Ainda nessa matéria, o programa citou uma estatística interessante: estima-se que cerca de 35% dos Gays, Lésbicas e Travestis já foram expulsos de casa. Agora me explica, como assim? Como assim a pessoa que te colocou no mundo pode ser capaz de te expulsar? Amor de mãe, principalmente, e de pai não deveria ser incondicional?

O que mais precisam dizer pras pessoas entenderam de que ser gay, bi ou hetero NÃO é uma escolha. Você nasce assim, caralho. Ninguém, em determinado momento da vida, acorda e diz "Hoje vou virar viado!". E a última coisa que você quer é decepcionar, de qualquer maneira, as pessoas que mais te amam no mundo. E que ninguém me venha com essa estória de que é ou não genética,  se ou não doença, porque 90% das pessoas que falam sobre isso não tem menor propriedade pra fazê-lo. Quando o seu pastor for graduado em Biologia ou área afim, manda ele vir falar comigo.


Claro que, dessa vez, a estória teve um final feliz, mas poderia não ter tido. Ele morou na rua, teve que roubar roupas, tapetes pra fazer a cama (!) entre uma série de privações que ninguém com uma mãe que tenha o mínimo de condições financeiras precisa passar. Quantos meninos e meninas - isso sem falar nos travestis que são, sem dúvida, os que sofrem maior preconceito - vivem escondendo isso da família ou pior, vivem com a retaliação diária porque contaram? Fora a escola, que é um dos lugares onde se sofre mais preconceito porque você acaba sendo o "viadinho" ou a "sapatão" da turma.

Lembro de uma redação que eu fiz quando estava no 2º ano sobre preoconceito. Eu terminava dizendo que  "o preconceito, assim como os genes, é passado de pai para filho". A professora que corrigiu (que nem era minha professora, mas do cursinho do meu irmão) disse que eu estava "generalizando demais". Oi? Será que ela sabe alguma coisa do que é sofrer preoconceito? 


Será que ela sabe que quando o pai manda o filho parar de andar com "os viadinhos da escola" e/ou com as meninas e começar a andar com os meninos, jogar futebol - fazer programas masculinos (?) - ele não tá passando uma mensagem de preconceito? Será que a mãe que fala pra filha brincar de comidinha e de bonecas, e não ficar jogando futebol com os meninos e/ou brincar de carrinho, também não tá passando essa imagem? É óbvio que sim.

Enquanto os pais continuarem educando seus filhos com a disciplina do ódio, tanto físico quanto verbal, a gente nunca vai poder falar de uma sociedade justa e igualitária.