Pra quem não sabia, agora sabe.
Pra que desconfiava, agora tem certeza.
Eu, particularmente, acho que eu deveria ter começado o blog com esse post. Mas, como disse uma amiga minha, eu não tive "cu" pra isso. Sim, não tive coragem. Mas eu acho que vocês merecem um Guilherme mais integral.
Eu nunca achei que ser gay era ser uma abominação, doença ou qualquer tipo de problema. Mas, eu sempre me perguntei porque eu tinha sido escolhido parar viver uma vida cheia de preconceito e discriminação alheios. Por boa parte da minha vida (ou seja, uns 6-7 anos) eu achei que eu seria feliz, mesmo tendo uma vontade absurda de ficar com outros caras, com uma mulher apenas. Passei todo meu ensino fundamental II (5ªa á 8ª) e todo o meu ensino médio com esse pensamento. De que um dia eu acharia aquela mulher linda e perfeita, nós nos casaríamos, teríamos filhos e seríamos o estereótipo da família feliz.
Mas, como diz um outro colega meu, "existem coisas que a gente não precisa procurar, elas vem até a gente". O fato foi que um dia antes do churrasco de despedida do 1º período da minha turma, eu tinha beijado um cara. E foi horrível. E eu fiquei com a cabeça a mil.
E então, as coisas foram naturalmente acontecendo. Meu critério para contar que eu sou gay sempre foi confiança ou "el@ vai acabar descobrindo quando me ver na night". E isso era um segredo que algumas pessoas não tinham sensibilidade o suficiente para guardar.
O que importa é que ser gay é apenas uma das minhas milhões de facetas. Uma, apenas, das minhas várias qualidades. Eu não estou assumindo nada, pois não tenho culpa de nada. Estou apenas contando a vocês uma das minhas características que talvez não seja tão evidente. Se eu tenho alguns treijeitos ou não, isso não é porque eu sou gay ou o inverso. Esse é o Guilherme. Ao contrário do
Lobo,
Foxx e do
Visão, meu rosto aparece aqui, vocês sabem meu nome, onde moro e o que faço da vida (e não, rapazes, isso não foi uma crítica).
Pelo menos aqui, no blog, eu quero ser o Guilherme sem muros, o Guilherme que pode comentar o que quiser que não vai passar pelo crivo de gente hipócrita (e mesmo aqui, sei que isso vai acontecer), que não será alvo de olhares repudiosos que me causam mais repúdia do que me deixam mal.
Se um dia eu neguei pra você (e ainda haverão pessoas das quais terei que omitir isso, por motivos profissionais - infelizmente, mas temporariamente), foi porque eu não queria que isso prejudicasse a relação. As pessoas que eu mais amo nesse mundo sabem que sou gay, embora a mais especial de todas não aceite, eu sei que nunca vai me deixar na mão, que nunca vai deixar de me amar por eu ser algo que ela não aceita.
Se isso for mudar a minha relação com alguém, eu quero que esse alguém se foda pense antes de fazer qualquer coisa. O que interessa em mim, a respeito da minha pessoa, é o meu caráter, minha idoneidade, meu ser, que ultrapassa e muito minha face gay.
Eu não tenho medo ou receio do que meus familiares que, porventura, lerem isso, falarão. Eu estou protegido. Por mim mesmo. Até porque, sabemos bem, que vocês tem muito pouco a falar de mim. Eu sou de longe a pessoa que tem mais futuro nessa família porca e hipócrita que nasci. Um bando de gente invejosa e mesquinha que acha que é melhor do que os outros porque tem um carrinho ridículo ou uma casa de praia. /vergonhalheia.
Eu sou uma pessoa MUITO bem resolvida para viver sob máscaras como essa. Eu sou e quero continuar sendo feliz. Do jeito Guilherme de ser.