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domingo, 9 de janeiro de 2011

The 5 Day Réveillon: O Que Acontece Comigo Quando Eu Bebo?

O dia 30 reservava muitas expectativas. Eu iria conhecer todos os melhores amigos do Bruno, em uma festa regada a pouca comida MUITA bebida. Muita. Muita mesmo.

O dia foi tranquilo apesar de estarmos todos ansiosos pelo início da festa e eu ter me cansado de tanto zuar meu amigo e Bruno, com piadas tão escrotas que nem eu sabia que tinha capacidade pra uma falta de criatividade tão grande.

Um pouco antes deles chegarem eu já estava bebendo, pouco, mas bebendo e assim que eles chegaram a gente começou a beber vodka com energético, com algumas cervejas no meio e, de repente estava trêbado já. Em geral, eu não sou um bêbado sem noção no seguinte aspecto: sei quando estou mal, dificilmente passo do meu ponto, me controlo muito pra isso. Mas não nesse dia.

A conversa até começou bem, todos se divertindo, rindo, todo mundo feliz. E aí, eu comecei com meu pior defeito quando eu bebo: querer falar as verdades pras pessoas. 

Aquelas verdades despretensiosas do tipo: "Ah, eu fiz cirurgia pra tirar as orelhas de abano (uma garota LINDA fala isso)", o que eu respondo: "Ah, nem parece, dá pra ver que tem mais um pouco". (...)

Daí foi pra pior, eu tava muito mal, queria continuar bebendo (porque, meu Deus?), continuei sendo chato, brigando com as pessoas. Até tomei consciência da minha situação, saí da onde estava todo mundo e chorei. Chorei horrores. Minha vontade era de simplesmente ir embora pra minha casa e passar o Réveillon dormindo, porque eu estava com tanta vergonha. 

Pra vocês terem ideia do ódio que despertei: essa pessoa pequena vomitou em mim quando foi dormir. Aí ele foi lá fora contar pras pessoas, trêbado, e o que todo mundo fez? APLAUDIU! Gente, olha, eu super entendo, na situação deles, eu acho que também aplaudiria. Eu contei muito com uma amiga do Bruno, ela conversou comigo enquanto eu estava chorando cachoeiras, ela me limpou do vômito (aff...), enfim. E nem lembro de tê-la agradecido.

Acho que isso nunca tinha acontecido comigo antes. Já até fui bêbado chato algumas vezes, mas em geral porque eu fico carente, então quero abraços, beijos etc. No final, é apenas uma forma de sabotar minha aceitação. Eu não sou hipócrita, eu odeio ser excluído. Tem gente que não se importa de ser excluído em determinados grupos, mas eu me importo. Muito. Em todos. A minha vida inteira foi pautada em exclusão. No ensino fundamental, eu ficava com todos os estranhos e excluídos da sala. No ensino médio, eu ficava com quem conseguia me aturar.

Como posso pensar diferente hoje? Na faculdade eu consegui um feito incrível: tirando uma inimizade, eu posso me considerar até 'pop'. Nesse dia, eu estava tão preocupado em causar uma boa impressão que a primeira coisa que eu fiz foi ficar bêbado e me sabotar. E isso é uma merda. Eu nem consegui pedir desculpas pra eles. Eu fui mega grosso com a namorada da amiga do Bruno que me limpou e tal, ao ponto dela falar "Pô, Gui, tá tudo bem, vai lá dormir, você está estragando o clima..." e eu respondo o que? "Sou desses".

VOCÊ É DESSES É O CARALHO, FILHO DA PUTA. VOCÊ JÁ FOI EXCLUÍDO A VIDA INTEIRA, AGORA QUE VOCÊ TEM CONSCIÊNCIA DE MUDAR VAI FICAR AGINDO ASSIM? VOCÊ GOSTA DO ÓDIO ALHEIO, É?

Próximo Episódio: Fireworks

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

The 5 Day Réveillon: A Partida e a Chegada

Eu tinha pensado que deveria começar 2011 falando de 2010. A retrospectiva clichê que todos fazemos, nem sempre por escrito, mas mentalmente, avaliando de forma geral como foi o ano e propondo metas e desafios para 2011.

Porém, eu penso que a virada do ano está, de alguma forma, relacionada tanto com o ano anterior quanto o futuro. Eu, sinceramente, não lembro da minha virada de 2008 (eu não estava bêbado), mas sei que teve um 'quê' de libertação. Acho que eu não passei com minha família pela primeira vez. E foi sobre isso que se tratou 2009: libertação. Libertação das rédeas da minha mãe, libertação da minha heterossexualidade que nunca existiu, libertação de diversas concepções equivocadas que eu tinha.

Enfim, foi o ano em que tudo mudou na minha vida.

A virada de 2009 foi boa, passei com alguns amigos, com direito a bebida, mas rolou estresse e o final da noite foi péssimo. 2010 foi daquele jeito. Muitos altos e baixos. Mais baixos que altos.

Eu queria um réveillon que renovasse minhas energias e motivações, que me permitisse crescer e aprender, de forma geral. Eram esses os meus anseios para 2011. Por isso, resolvi abdicar do post '2010', pelo menos por agora (quem sabe eu o faça no final de 2011). E simplesmente falar de como foi meu incrível réveillon de 5 dias.

Como eu já tinha falado por aqui, meu réveillon foi ao lado de um amigo e de Bruno. Minha ideia inicial era começar a festa já no dia 30, pra terminar 2010 daquele jeito. Mas eu mesmo me antecipei e acabei migrando para Niteroi no dia 29 mesmo. Para o desespero da minha mãe.

Aliás, isso é importante de comentar. As coisas na minha família são sempre muito hipócritas. É sempre aquela de ideia de "não precisamos de ninguém, mas precisamos ficar todos juntos", então minha mãe sempre gritando que não fazia questão da minha presença nem no Natal nem no Ano Novo, mas foi só eu dizer que iria passar fora que ela surtou. Literalmente. Com direito a briga por que eu estava 'levando muitas roupas'. Aham, Cláudia, senta lá...

Arrumei minha mala e fui, encontrei meu amigo na Lapa, compramos bebidas - aka Vodka - e partimos em direção à perdição, ou seja, Fonseca bairro que fica ao lado da Ponte Rio-Niteroi, cheio de favelas e gente estranha, com um levanta poeira a cada 5 minutos. Chegamos lá e fomos super bem recebidos pela mãe, vó e irmã de Bruno.  Ficou tarde e eu já quis começar os trabalhos de réveillon.

Começamos a ficar altos, quando de repente, o clima de pegação se instala no quarto e meu amigo e Bruno começam a se pegar loucamente. De repente chega a primA de Bruno, e pessoas me falam que ela é BV e blah blah blah.

Pausa para comentário: eu não tenho mais paciência pra desenrolar com mulher. Dá muito trabalho por muito pouco. Por isso que eu acho que nasci gay, porque se tivesse nascido lésbica...

Sei que depois de desenrolar 10 horas com a menina, ela me faz a pergunta crucial: "Qual a diferença entre princípio ativo e medicamento?". Só pensei: "-QQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQ". E comecei a explicar. Só sei que em algum momento ela cansou e me agarrou. Acho que a chave pra pegar mulher que quer te pegar é falar sobre assunto chato e que você sabe muito, porque olha. Só sei que eu estava sendo estuprado pela menina enquanto pensava "COMO ELA PODE SER BV, BRASIL?".

Ela foi embora e eu fiquei usando o PC enquanto meu amigo e Bruno se atracavam na cama. Fui ao banheiro e quando voltei a pegação já estava em um nível além, assim como o nível estratosférico de álcool no meu sangue. Só proclamei: "Gente, já que vocês perderam o pudor, - blah blah enquanto eu falava da ausência de vida sexual pra mim - eu vou ver uns vídeos pornôs por aqui, porque eu to precisado".

Próximo episódio: o que acontece comigo quando eu bebo?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Onde o ar é mais puro

Hoje fiz uma grande pequena viagem até o Jardim Botânico, zona sul do Rio, vindo de Niteroi.

O objetivo era ver se, finalmente, eu conseguia uma bolsa de iniciação científica que acabasse com minha condição de subsistência em Nikity. Tirando o fato de que uma boa parte da bolsa iria pra pagar a passagem, né? Com o bilhete único e indo duas vezes por semana seriam R$70,40 por mês, só nessa brincadeira.

Então, eu não sei vocês, mas eu sou do tipo que fica pensando muito enquanto tô no ônibus, entre um cochilo e outro. Basicamente, passeei por toda zona sul do Rio e o pensamento que me vinha o tempo inteiro era "Como eu queria morar aqui". Nesses momentos, é sério, eu só via pessoas felizes na rua, bem arrumadas, gente sorrindo, nenhum louco atravessando a rua quando o sinal estava aberto. Nada. Me parecia muito a Europa.

Hoje eu posso dizer que moro em Niteroi, mas é um morar muito simplório. Aqui eu não vou à cinemas, não frequento teatros, casas de cultura, nada. Fora que são apenas 2 anos morando aqui. Morei 17 anos inteiros no mesmo bairro, mesma rua e mesmo condomínio na Taquara, Jacarepaguá longe pra caramba. Um lugar onde eu preciso pegar 2 ônibus pra ir, praticamente, a qualquer teatro ou cinema de qualidade - leia-se : com filmes que não estejam necessariamente no circuito comercial. A única exceção é o Centro, que tem lugares como CCBB entre alguns teatros (pra não dizer o magnífico Theatro...).

Esses fatores fizeram com que meus pais, que já não tinha essa cultura de ir à museus, parques, teatros e cinema, não a criassem nem em mim nem em meu irmão. Resultado: a primeira vez que fui a um teatro de verdade eu já tinha quase 16 anos. 


O fato é, não bastasse isso, eu nunca fui ao Cristo ou ao Bondinho. Claro que agora, depois de velho, eu poderia ir a hora que quisesse. Mas é como se eu já tivesse perdido um pouco da fantasia de ver o Rio todo do alto que eu tinha quando era criança. 

Na zona sul, tem um teatro a cada esquina, tem metrô (na maior parte), você vai andando pra praticamente qualquer lugar por ali. Enfim, é um estilo de vida que eu sempre almejei. E que ainda parece tão longe, sabe? É como se fosse alguma coisa que faltasse tanto pra acontecer que desse vontade de desistir. É como se eu estivesse fadado a morar sempre em um lugar isolado, que me obriga a ter viagens com mais de uma hora de duração pra fazer quase qualquer coisa. (Sério, ir ao Barra Shopping, que fica a 15 minutos da minha casa, NÃO conta.).

Sim, eu sou suburbano, com muito prazer, como diria o Fernando. Mas eu já cansei um pouco dessa vida. Sei que a zona sul não é perfeita, tem uma série de problemas. Mas, ainda sim, é um lugar que eu não abro mão de morar. Pelo menos por uma parte da minha vida.

Sonhar não custa nada. Mas às vezes dói. Dói muito. 

PS: Moral da bolsa: vou ter que fazer um mês de experiência antes de conseguir. Isso porque nem sei se vou receber esse ano ainda. Estou desesperado, quase. Aceito bicos, sugestões.