Mostrando postagens com marcador #sobreoquedizer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #sobreoquedizer. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Porquê das Coisas

Fiquei parado alguns minutos pensando no que escrever. Pode parecer forçação, mas eu sei que preciso. E quero escrever.

É impressionante como a vida dá voltas na gente. Isso tudo já é batido, mas tem um efeito diferente de quando você é que está dizendo as coisas.  Nós acabamos nos apegando a tantas coisas que, vemos, depois de um ou dois (dias, semanas, meses, anos?) não foram nem tão importantes, nem tão úteis assim. É como se o esforço fosse em vão.

Mas nós continuamos lutando, seguindo, a vida não pára. E, de repente, faltam palavras para descrever como nos sentimos, faltam atitudes para agir em tantas situações que parece que toda sua bagagem de vida é inútil. Mas você segue. Segue. Segue. Segue. Às vezes, até se recupera. Outras vezes, vai mais longe do que queria (ou devia?).

Eventualmente, tudo acaba. Um borrão preto atinge seus olhos e você fica preso no êxtase-tempo para sempre. Sem noção de quem foi, de quem é e de quem será, se é que virá a ser qualquer outra coisa. Só fica pensando no porquê das coisas. Calma, há tempo para perguntar.

Hoje minha mãe me ligou, bem mais cedo, aos prantos, dizendo que uma tia muito próxima havia morrido ontem, de parada cardiorrespiratória decorrente de dengue (meu corpo inteiro na área da saúde ficou com ?, mas que não vem ao caso). O enterro deve ser hoje e ela solicitou (risos?) minha presença. 

O problema é que eu tenho dois compromissos importantíssimos hoje. Hoje é um dia muito importante de preparação. Eu não sei como lidar. Mas é/foi (nunca sei que verbo inserir nessas situações) minha tia. A mais próxima da família do meu pai, a única que realmente se importou com a gente. Talvez, por isso, seja a única que realmente merece esse esforço.

As pessoas morrem. A vida segue. The show must go on. Deixa eu viver minha tristeza seguindo meu dia, ao invés de chorar sobre um corpo agora gelado e que, para mim, nada mais representa. Resta só a lembrança, a memória dos momentos bons.

E a reflexão incerta de uma manhã de segunda-feira. 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pais e Filhos

Sábado foi aniversário da minha mãe. Eu não gosto de aniversários na minha família, em geral, mas dessa vez decidi fazer algo de diferente. Decidi descer, beber a Coca geladíssima e socializar com minhas tias e primos.

Foi a primeira vez que eu parei para pensar na trajetória da minha família.

Toda minha família vem do Ceará, da área rural de Fortaleza (nem sei existe mais, mas naquela época era rural). São 12 irmãos - 8 mulheres e 4 homens. Os irmãos ficaram todos no Ceará, enquanto as irmãs vieram quase todas para o Rio de Janeiro. Primeiro, a irmã mais velha veio para ficar na casa de uma tia. E foi trazendo, uma a uma, as irmãs mais novas, que sempre se ajudavam e conseguiam trazer mais irmãs.

Sem escolaridade, sem cultura, sem lazer. A vida na roça, como elas dizem, era assim. Era acordar às 4h e deitar às 22h, todos dias, capinando, carregando peso, cuidando dos animais.

Algumas conseguiram se qualificar um pouco aqui no Rio e arranjaram empregos melhores. Mas a mudança veio mesmo com os casamentos. Em uma época de ditadura militar, muitas se casaram com militares enquanto outras se casaram com uns 'zé ninguéns' (minha mãe incluída).

Olhando hoje, passado esse tempo todo, todas tem casa própria. A maior parte delas foi capaz de dar condições para que os filhos chegassem à Universidade, apesar de apenas 4 cursarem/terem cursado pública.  Eu fui o primeiro da minha geração a ingressar em uma Universidade Pública. Antes de mim, duas primas e depois de mim, apenas meu irmão.

O salto social das 'paraíbas cabeças-chata' foi incrível. E minha mãe foi uma delas.

Pela primeira vez, eu reparei no jeito da minha mãe. No seu modo de agir. Na sua forma de pensar.

E reconheci tanto de mim nela. O jeito muitas vezes explosivo (embora eu esteja longe de ser uma pessoa nervosa e estressada como ela), o jeito íntimo muitas vezes não correspondido, a facilidade em angariar a simpatia das pessoas, o modo de se portar diante de situações difíceis, o jeito bêbado de ser inconveniente, enfim.

Tanta coisa que já passou despercebido. Tanto esforço do qual sou fruto e nunca tinha me dado conta.

Nesse momento foi que eu percebi algo muito importante: nunca queremos ser iguais aos nossos pais, apesar de muitas vezes os utilizarmos como espelhos, como exemplos. Porque, apesar de lutar contra tudo e todos para ter nossa própria individualidade, temos sempre tudo de melhor...e de pior deles.

E, sinceramente? É exatamente isso que nós faz tão únicos. Pela primeira vez, eu me orgulhei, emocionado, de ser filho de quem eu sou. De ser fruto do que sou. E de reconhecer que mesmo nossos defeitos tem uma importância enorme na construção de quem realmente somos.

Obrigado por me proporcionar isso, mãe.

Te amo.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Never Again

Ontem era um dia normal como qualquer outro, eu estava voltando da faculdade, depois de uma prova escrota e saí rápido da faculdade. Aliás, pra variar, esse é o principal motivo da minha ausência por aqui, e por aí

É impressionante como meu desempenho acadêmico é importante para o meu humor. Tinha ido mal, estava puto e acabei esbarrando em um cara na saída da faculdade, nem olhei para trás, nem pedi desculpas, apenas saí andando. Poucos segundos depois ouvi um barulho e uma dor absurda nas costas. 

Estava caído no chão, perdi um pouco a noção do tempo. Não conseguia levantar, embora tentasse com toda minha força. Conseguia mexer a mão muito pouco. Minhas pernas estavam dormentes. Depois de algum tempo, alguém abaixou e tentou conversar comigo. Lembro que dizia o que ela podia fazer por mim. Era uma mulher, talvez uma amiga. Ainda não apareceu por aqui. 

Pedi que ligasse para minha mãe e, óbvio, para o 192. Ela riu e disse que era impressionante como exatamente nesses momentos eu conseguia manter a sobriedade. A esse ponto, eu só me sentia muito cansado, molhado. Talvez fosse o Sol e eu estivesse suando. Mas eu estava tão cansado, e essa mulher falando comigo nervosa, gritando. Eu só queria que ela calasse a boca.

De repente, me dei conta do que tinha acontecido. Como num estalo, tudo fazia sentido. Mas não era a causa que me preocupava. Era a consequência. Comecei a pensar na minha vida a partir dali. Não parecia que eu ia morrer, pelo menos. Me imaginei vivendo sob uma cadeira de rodas. Quem sabe, poderia até digitar? (Hoje comprovo que sim, como vocês podem ver).

Mas doía tão fortemente quando pensava que minha vida amorosa estava acabada. Não mais sairia para boates, bares e eventos gays em uma cadeira de rodas. Quem me olharia? Todos. Porém, olhariam com aquele olhar de pena, talvez pensassem 'Até é bonito, mas...'. Seria o 'mas' eterno da minha vida. Percebi, nesse momento, que uso muito a palavra 'mas'. Talvez tenha sempre que justificar as coisas, não sei.

Tivesse. Minha vida ficaria tão vazia agora. Sempre tive medo de chegar à velhice como alguém que não conseguisse nem correr para pegar um ônibus (podem me chamar de pobre, mas prefiro 'sustentável'). Chorei um pouco, mas passou. Agora só estou me sentindo cansado de novo, talvez sejam os medicamentos que estão no soro agora. Vou enviar esse texto e dormir, quem sabe eu o edito amanhã?

Quando fechei os olhos e os abri novamente, estava deitado, na minha cama. Olhei a hora no celular, eram 8:45. Foi apenas um pesadelo. Hora de sair correndo para minha aula às 9.


domingo, 24 de abril de 2011

Torn

Conto nos dedos as pessoas que eu realmente posso chamar de amigos. Amizade, para mim, é algo que transcende todo e qualquer sentimento que podemos ter, até de amor. Ou melhor, é um amor tão potente, tão único, tão sincero, tão nobre. Tão único, que seria maldade compará-lo ao amor 

Amigo não é aquele que te dá presentes caros. Amigo não é aquele que enxuga suas lágrimas. Amigo não é aquele que te dá conselhos. Amigo não é aquele que passa a mão na sua cabeça. Amigo não é aquele que sempre sai com você.

Amigo, para mim, é aquele que sabe que a sua presença pode ser o melhor presente. Amigo é aquele que sabe que chorar é fundamental e que você tem todo o direito de sentir triste em algumas situações. Amigo é aquele que sabe que, às vezes, o silêncio é a melhor forma de dizer alguma coisa. Amigo é aquele que te dá esporro, mas na hora certa. Amigo é aquele que recusa sair com você, mas te oferece uma tarde em casa para vocês passarem algum tempo juntos.

Só existe uma coisa que eu valorizo mais do que a amizade, e é a minha mãe. Quando considero alguém como amigo, considero que é parte de mim. É uma pessoa que, invariavelmente, lembro nas coisas mais singelas. Na gíria que era só nossa (Um dragão nas costas!), nas atitudes que a gente sabe que o outro vai ter. Nos olhares que para os outros precisariam de uma conversa de 1 hora para serem explicados.

É aquele que você fala no MSN mesmo só tendo 1 minuto na LAN House, só para dizer 'oi te adoro to saindo bjs' (quem precisa de vírgulas para entender?).

E quando você perde essa relação? Quando tudo, magicamente, se desmaterializa? Quando os olhares não são mais os mesmos? Quando a vontade de ficar perto se torna repulsa? Quando as conversas se tornam sufocantes?

Às vezes, a causa foi um gesto. Às vezes, a causa foi uma atitude. Às vezes, a causa é a própria incoerência inerente a todos nós. Só que, em alguns assuntos, isso machuca. Isso dói. E aí fica difícil suportar. Não é por falta de sensibilidade da pessoa. Nem excesso de sensibilidade da sua parte. Cada um tem seus motivos mais profundos para fazer o que faz. 

Mas existem momentos, e não são poucos, em que você espera uma determinada atitude de um amigo. Você não precisa pedir para aquele amigo agir daquela maneira, mas você acredita que toda a história que vocês viveram juntos já indicou para ele o caminho a ser seguido. Aí, essa pessoa, simplesmente, vai na contramão. E você fica imóvel, duro, doente, frio. E, porque não, morto? Como se tudo tivesse necrosado.

Quem é você para julgar? Quem é você para dizer 'sim' ou 'não'? 'Pode' ou 'Não pode'?

Apesar de ser uma música com todo um tom romântico, acho que Torn define bem como estou me sentindo.

Rasgado. Jogado no chão. E nenhuma alma viva para me estender a mão.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Não Peço Muito

Nunca pedi muito na vida. Sempre fui um cara bem ciente da minha realidade, talvez por ter nascido já na época das vacas magras na minha família, talvez pelo simples alinhamento do cosmos. Acho que é exatamente por ter os pés tão fixos no chão que minha cabeça fica tão perto da Lua, como numa fuga constante de uma realidade que eu não quero, mas aceito, como minha.

Lembro que houve uma época em que eu era louco por Pokémon, adorava todos os jogos e tal, e queria muito, muito um gameboy daqueles preto e branco ainda. Tinha ouvido falar de um garoto que estava vendendo por 20 reais e a fita de um dos jogos. Cheguei todo feliz pra contar pra minha mãe e ela disse que não tinha dinheiro. Mais tarde desceu pra comprar cigarro. Tinha uma revista quinzenal por R$3,90 que eu também pedi, se ela comprou 2 ao longo de um ano, foi muito. Meu irmão queria um boneco original de 50 reais e ganhava um eventualmente. Eu ganhava o falsificado e, ainda sim, ficava feliz.

Daí eu entendo porque sempre tive problema com dinheiro, com comprar as coisas mesmo quando eu podia gastar. É por isso que eu fico à seco em boates que não são open bar, mesmo tendo dinheiro pra comprar algumas bebidas. É por isso que às vezes dói comprar um salgado na rua, mesmo quando a fome é tanta que posso desmaiar antes de chegar em casa.

Houve uma outra época em que eu queria muito aprender inglês. Acho que tinha 10 ou 11 anos. Nem preciso dizer que não havia a menor possibilidade de isso ocorrer, né? Pois, então, meu pai comprava o Extra toda semana e ganhou um dicionário inglês-português (Michaelis ainda por cima...) e o pegava todos os dias pra ler. Procurava palavras aleatórias, usava o diálogo dos jogos de videogame (sim, meu irmão tinha um videogame e eu 'podia' assistir a ele jogando) pra aprender algumas coisas também. Mas aí, depois de alguns anos, veio a defasagem: eu não sabia falar.

Eu sempre quis estudar em uma boa escola. Já disse que dinheiro sempre foi um problema? Pois é, escola municipal até a 8ª série (fiz os concursos na 5ª, but...). Depois veio a redenção (?), ingressei na Fiocruz. Eu precisaria de um novo post, em um tom muito diferente, pra narrar os problemas de lá. Só queria entrar na faculdade, não tinha como pagar o pré-vestibular, estudava em período integral, com a monografia e o estágio nas costas ainda por cima. Consegui uma pública, federal. Entretanto, não era a que eu mais queria, que, porventura, nem prestei vestibular porque não poderia arcar com os custos de outro estado.

Eu sempre pedi pouco e mesmo esse pouco me foi negado. Ainda sim, eu tinha forças pra seguir em frente do jeito que dava. Agora não mais. Eu continuo pedindo pouco, fazendo tudo que está ao meu alcance e...nada. Não consigo estágio, mesmo recebendo email 'eles adoraram seu perfil! Vão te chamar pros próximos processos seletivos'. Nem preciso dizer dos vetos, porque quando uma coisa não vai bem na sua vida, você tende a sobrecarregar outras coisas.

E eu, que quase me apaixonei pela pessoa completamente errada, fico com um vazio e carência inexplicáveis. Ânimo pra faculdade? Nenhum.

Não peço muito. Peço só que alguma coisa dê realmente certo para eu ter forças suficientes para consertar as outras que estão dando errado.

PS: Ainda estou sem Internet, copiei esse texto que eu tinha escrito à mão agora rapidinho no Lab de Informática. Desculpe pela ausência no blog de vocês, viu? Espero até semana que vem já ter GVT-maravilhosa-de-10-mega-rycah-veloz-isperta aqui em Nikity. EDIT: GVT chegou. GENTE, GVT CHEGOU, CORRE GENTE, CORRE GENTE!

sábado, 5 de março de 2011

Back to Black

Nunca fui do tipo desacreditado. Nunca me julguei azarado ou pensei que existia algo que não era pra mim.

Em especial, o amor. Olha, se eu não me julgo assim, não posso dizer o mesmo dos meus amigos. Tenho muitos amigos que se consideram azarados, dizem que o amor pode existir mas não para eles e tal. Sempre fui conselheiro amoroso, eu era o que ouvia os casos falhos. Eu era o que dizia para as pessoas não ficarem com @ ex, que era o ombro amigo quando voltavam para logo depois saberem que só estavam sendo usados. Ou não, eu só ouvia um lado da história.

Essa semana eu fiquei pensando em como a gente pode mudar nossas concepções em tão pouco tempo, de modo tão brusco. Passei um ótimo fds com Eah, fiquei feliz. Fiz planos, de vê-lo o resto da semana e até de  passar o carnaval com ele. E olha, nem pensei em namoro. As pessoas riem quando eu digo isso, porque todos acham que eu estou loucamente apaixonado por ele e tal. E não. Simplesmente não. Eu estava adorando ficar com ele, foi uma pessoa especial para mim.

Por que estou usando o pretérito? Porque Eah agora é, praticamente, passado. O problema não foram as saídas desmarcadas, a aparente frieza e mesmo o chá de sumiço. Pessoas que trabalham não estão livres como pessoas de férias, eu entendo isso. Quando eu falo que sou um cara muito tranquilo, eu sei exatamente o que quero dizer. Só não posso ficar no escuro, odeio ficar no escuro. Odeio pisar em ovos. 

Quando eu não quero mais ficar com alguém (o que aconteceu todas as outras vezes), eu falo. Sou sincero, uso as palavras certas. Porque para mim, essa sensação é horrível: de não saber o que está acontecendo. Só preciso de um sinal claro, caso as palavras não estejam saindo por vontade própria.

Às vezes rola um erro de comunicação, as pessoas tem medo de envolvimento, então algumas atitudes dão ao entender que você quer namorar ontem. Que você já está amando. As pessoas realmente não sabem o que significa amar. Muitas vezes, você só quer estar perto. E isso basta.

Mas eu sou racional. Sei que 99% do que está aqui pode ser coincidência ou fantasia minha, mas o ditado popular já dizia: mente vazia, oficina do diabo. Vai ver é o carnaval. Vai ver não é. Na dúvida, vou continuar procurando minha vibe para sair porque perdi e não encontrei mais desde Eah.

Só sei que não quero me jogar de lugar nenhum. Não tão cedo.

Isso traduz tudo.

"A pior coisa do mundo é quando alguém faz você se sentir especial e, de repente, te deixa de lado. E aí você tem que agir como se não se importasse" Caio Fernando Abreu

EDIT: Eu estava certo. No fundo, a gente sempre sabe, né?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Se Joga, Bee

Gente, hoje a vibe é meu diário.

Olha, estou bêbado, mas quem são vocês para me julgarem? (brinks, não estou na defensiva não). As pessoas me oferecem vodka às 21h de um domingo num ônibus lotado e quem sou eu para recusar, né? Já bebi o mundo antes, agora sou bêbado.

Estou me esforçando para digitar tudo certo, porque né, não tô nessa vibe de não ser entendido. Esse fds rolou uma maratona frenética de festa e bloco com Eah. E, olha, não sei se poderei usar minhas pernas novamente porque eu não as sinto.
Fato foi que eu nunca fui à uma festa acompanhado antes e vou te dizer, foi muito estranho. Realmente quando você está acompanhado parece que todo mundo te olha, uma loucura. But, como eu estava muito bem acompanhado, olhares lançados não eram retribuídos, porque né, sou fiel. Vou dizer também que é uma sensação muito boa, saber que você sempre terá 'a quem voltar' na festa. Muito diferente de ficar com uma pessoa na festa inteira. 

Eu nem sei explicar porque eu não sei lidar com relacionamentos. Nunca namorei, nunca fiquei sério (aliás, nem sei a diferença dessas coisas), então para mim é tudo novo. É tudo uma experiência nova, que eu resolvi que quero experimentar. 

Sendo sincero, ainda tenho muitos medos em relação à Eah. Tenho medo de estar indo rápido demais, de não estar sendo agradável, exatamente porque eu não sei como agir. 

Aliás, sendo mais sincero ainda: confesso, estou apaixonado. E eu nem sei o que isso significa. Só sei que tudo é diferente. Tudo é...bom. O beijo é bom (tão bom que eu sempre fico 'constrangido', se é que me entendem), o papo é bom, tudo é bom. Sei nem explicar isso, sabem, achei que não existia. Mas olha, pelo que me disseram (juro que perguntei isso para várias pessoas), é isso estar apaixonado. É o querer bem, o querer estar perto, é tudo.

Só queria que as coisas ficassem claras e Eah mandasse um sinal bem claro para mim de que também está nessa vibe, porque né, super não quero ser chato com ele. Eu? Se eu me enganar e estiver me envolvendo (há! parece até que não estou envolvido ainda), vou superar. Total não sou do tipo que vai chorar pelos cantos. Talvez bêbado, mas passa. Se não puder ter Eah como algo a mais, que seja pelo menos como amigo. Ou não, depende dele também.

Porém, quem quer começar uma história já pensando no seu término? Eu simplesmente decidi que vou me jogar do abismo, como disse o Autor. Mesmo que seja para me estabacar e saber o gosto da dor. Que seja, a vida é muito curta para a gente ficar ponderando tanta coisa. Só quero viver, só quero sentir as borboletas no estômago (isso para mim ainda é mito, beijos), mesmo que o impacto me deixe no chão durante um tempo. Do chão eu não passo, não é?

Eu estou em um momento em que minha concepção de vida é simples: just be. Apenas seja. Apenas seja você mesmo ou seja o que quiser. Se quiser dar pinta horrores na rua, dê. Qual o problema nisso? Qual o problema em 'parecer' gay? Qual o problema em ser bichinha? Se quiser ser machão, seja. Se quiser amar, se apaixonar, porque não?

E é isso aí. Vou me jogar. Só espero que seja de mão dadas com Eah, porque aí, vai ser muito mais gostoso.

[Não me critiquem porque meu texto não tem nada a ver com nada porque não sou obrigado. Grato.]

domingo, 30 de janeiro de 2011

Como lidar?

Com a total falta de criatividade e informação relevante para transmitir via esse blog feio e caído, embora acessado por pessoas maravilhosas que, definitivamente, tem o que dizer;

Com a total falta de noção das pessoas da minha família perguntando toda vez que me veem: "cadê a namorada?";

Com o fato da pessoa com quem você se permitiu fantasiar um envolvimento emocional efetivo estar em outro país;

Com o fato de eu ter pegado alguém que vou ver todos os dias durante bastante tempo e não ter a menor ideia de como agir quando voltar à faculdade;

Com a carência crescente me dizendo que eu preciso mais do que fazer pegação, entretanto, sou tão insensível e frio com as pessoas que pego, que encerro qualquer possibilidade de começar alguma coisa mais séria;

Com o fato das férias estarem em pouco mais da metade;

Com o fato de eu estar saindo para lugares onde gasto mais do que posso, não estar economizando pro Carnaval e ainda não ter arranjado um marido rico;

Com a desmarcação da minha 'última' entrevista pra tal da multinacional e nenhum sinal de vida para remarcá-la até agora;

Com a esposa maravilhosa que eu tenho, que me manda um email de 5 linhas e me faz pensar sobre todos os aspectos da minha vida no meio do almoço, enquanto eu não tenho capacidade para oferecê-la apoio à altura;

Com meus amigos que precisam de mim e a ajuda oferecida muitas vezes é insuficiente;

Com minha relação com a vida variando diaria ou semanalmente, vivendo em uma montanha russa de estado de espírito.

Como lidar, Brasil?

EDIT: Me responderam com um tapa na cara.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Vitória de Ariadna

*pisadas rápidas no chão*

"Meu filho, o que é uma transex?"

Foi assim que eu fiquei sabendo da eliminação precoce da participante Ariadna, a primeira transexual da história do BBB. Fato que o público brasileiro, em geral, não sabe votar em reality show. Acho que a cultura das novelas do 'vilão' e do 'mocinho' atrapalha um pouco as sinapses na hora de votar, porque o critério pra qualquer reality deve ser muito simples: samambaias first. Aquela pessoa que não existe, que não contribui em nada pra casa, que não briga (sim, porque quem é fã de BBB e derivados gosta de ver a casa pegar fogo, quem não gosta?).

Certamente, Ariadna não se encaixa nesse perfil. A veia barraqueira estava lá, latente. Além, claro, da franqueza com a qual ela emitia suas opiniões. Nessa brincadeira, eu li vários artigos sobre o fato dela 'esconder' sua transsexualidade dos outros participantes.

Olha, acho que essa questão é muito mais simples do que parece. Ao contrário de diversos comentários que eu li, Ariadna é, por via das dúvidas, uma mulher. Não é um homem operado. Argumentos? 'Mas ela nunca poderá gerar um filho', qualquer mulher sujeita a uma histerectomia - retirada do útero, e dos ovários, eventualmente - também não pode. 

Entretanto, ninguém diz que uma mulher assim é um 'homem operado', até porque, as mulheres que retiram também os ovários caem no mesmo fato anatômico de Ariadna: não produzem nem os hormônios femininos, quem dirá filhos. A única diferença notável talvez seja a ausência (não posso nem confirmar isso porque não sei como é o processo de construção do canal vaginal de uma transsexual) de lubrificação vaginal, mas que duvido que a maior parte dos homens notaria.

Aliás, o ponto principal, quantos heteros notariam, se transassem com ela, que ela é um 'homem operado'? Fica a pergunta.


Além disso, acho que é uma hipocrisia absurda dizer que ela deveria contar. Porque, diga quem quiser que não, mas é óbvio que o tratamento masculino para com ela seria completamente diferenciado das outras mulheres. Também é importante parar pra pensar que, ao contrário de um travesti que não conta que é um travesti, uma transsexual não iria causar o 'espanto' de ter algo ali que não deveria estar ali. Não haveria constrangimento por parte de ninguém. A transsexualidade é uma característica dela e apenas dela e, desse modo, ela tem o DIREITO de não querer contar pra ninguém. Muitos disseram 'eu não trataria diferente', então pra que saber?

Saber se uma pessoa só come no McDonald's ou no Bob's faz diferença pra você? Pra mim, também não. É o mesmo com a transsexualidade.

Mas o principal: Ariadna levantou uma discussão NUNCA antes levantada pela Globo para o público brasileiro que não fica acordado até às 1h da manhã pra ver profissão repórter e ouvir "Tá pensando que travesti é bagoonça?". Quantas pessoas sabem diferença de um travesti para um transsexual? Meu irmão  estúpido até hoje se refere a ela como um 'traveco'. Além de uma concepção equivocada, é um termo um tanto quanto ofensivo.

Embora eliminada, tenho certeza que Ariadna foi a grande vencedora desse programa. Não ganhou os R$1,5 milhões, mas, certamente, ganhou o respeito e a admiração das pessoas que quiseram ver um pouco além da máscara que cada um de nós usamos todos os dias.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Espelho

Eu sou o tipo de pessoa que fala - e escreve - muito. Pessoas assim costumam falar mais bobagens e se revelar mais, em geral, do que as pessoas que falam e escrevem menos. Não tem necessariamente menos instrução ou mais preconceitos ou defeitos, oferecem, apenas, mais oportunidades dos outros perceberem estes detalhes que, para os que escrevem menos, fica muito mais difícil perceber. 

Sendo ainda mais direto, não fiquei nada satisfeito com o comentário do Ricardo e de outras pessoas a respeito do meu último texto. Por muito motivos. O primeiro dele é, obviamente, o fato de que, eu sei reconhecer quando falo ou penso algo inadequado ou errado. E, neste caso, quando sou preconceituoso. Não tenho problemas em assumir que estou errado.

Eu estou errado. Aliás, o post passado passou uma imagem que, certamente, não condiz com o que eu sou e penso, de fato. Quem me conhece e lê e esse blog pode, e deve, inclusive, se manisfestar. Além disso, eu me incomodo com a imagem que eu passo no blog. A maior parte das pessoas que leem esse blog não me conhecem, então, no momento em que, segundo o Ricardo, eu passo a imagem de nazista, isso me incomoda. Não devo satisfação a ninguém, senão a mim mesmo. E é por esse motivo que estou escrevendo esse texto.

Por que sou um ser em eterna mudança, com capacidade crítica o suficiente pra saber quando eu tenho que me criticar e avaliar não só o que eu disse - ou escrevi - mais também meu modo de agir e, principalmente, de pensar.

Já reli o texto algumas vezes e ainda é difícil pra mim identificar um nazista em potencial. Provavelmente porque eu tenho dados empíricos suficientes pra julgar que eu não sou nem de longe algo parecido com o Mike citado no belíssimo, porém radical, texto que o Ricardo postou. Faço bem mais o tipo Arthur, daqueles que vê uma travesti passando e elogia, sim. Daqueles senta na mesa de um bar só com travesti e conversa em plena praça pública, falando desde amenidades à política. Daqueles que não escolhe com quem vai conversar, sendo gay, afeminado, hetero ou mãe.

Entretanto, como reconheci no próprio texto, fui, sim preconceituoso. Preconceituoso exatamente porque não faço parte do público 'bicha xoxota' que, embora seja um termo extremamente escroto, define bem o que eu estou querendo dizer. Mas jamais alguém me veria fazendo brincadeiras homofóbicas pra travesti ou pra bicha afeminada ou pra barbie, que seja. A percepção não foi só minha, leiam, não que justifique, pelo contrário, é só uma constatação. Me pergunto se eu tivesse ido na TW Rio e dito que só havia barbies se haveria tamanha manifestação.

Eu comento, sim, o que eu penso. E eu não entendo porque um homem - gay ou hetero - quer passar sombra no olho. Não entendo, mas eu não tenho que entender nada mesmo,  só tenho que aceitar. E eu aceito. As pessoas tem o direito de vestir e usar o que quiserem, assim como eu tenho direito de gostar ou não. O que eu não tenho direito, e não o faço, é de ridicularizar ou, de algum modo, constranger essas pessoas. É como se uma mulher fosse de shortinho para um casamento, ou um cara de bermuda. Acho inadequado. E todos comentariam.

O preconceito se constitui em criticar alguém por ser gay. Eu não critiquei ninguém por ser gay, mas pelo modo como se vestia. Eu não levantei do lado de nenhuma "bicha xoxota" que sentou ao meu lado. Eu não deixei de conversar com nenhum deles.

No metrô, enquanto eu ia para Copacabana e pessoas ao meu lado começaram a falar desses "viados e bichas barulhentos e mal educados" - de fato, existiam alguns gays fazendo baderna desnecessária, como aquela que as torcidas de futebol fazem - eu virei e falei que ser gay não tem nada a ver com isso. Que se elas tivesse apenas alguns dias do ano, os dias de parada gay, para se expressar sem apanhar (o que já vimos, não é verdade), elas talvez seriam tão 'espalhafatosas' quanto.

Sobre gay (ou qualquer pessoa dando em cima de qualquer outra COMPROMETIDA, que, claramente, não está correspondendo as expectativas) que dá em cima de hetero com família eu acho, sim, um absurdo. O Foxx disse que mulher hetero faz, então porque gay não pode fazer. Não pode fazer porque é desrespeito. E não pode porque não vivemos em um mundo gay friendly, porque se você der em cima de um hetero você pode apanhar muito ou até morrer. Se mulher hetero faz, foda-se, isso não dá o direito de um gay fazer.

O que eu percebo é que pessoas militantes tendem a colocar os gays - especialmente os excluídos do próprio universo gay, 'as pintosas' e travestis - num pedestal, como se fossem pessoas que não podem ser criticadas. Podem sim, ser criticadas. Por gays, por heteros. O fato de ser gay não isenta a pessoa de ter defeitos que devem ser criticados quando conveniente.

Se alguém está lutando pela igualdade de direito, tem de reconhecer que gays não são perfeitos por serem gays. Mas não podem ser criticados por serem gays. Eles tem tanto direito de se expressar - sem ofender alguém e o modo de se vestir não é uma ofensa, ou eu poderia fazer um escândalo no carnaval com tanta mulher pelada, praticamente - quanto os heteros.

Uma vez vi um tweet da Nany People falando que era do tempo que 'beesha era sinônimo de ser inteligente", me diz uma coisa, porque gay tem que ser inteligente? Ninguém exige de HT inteligência, mas de gay exige? Não faz sentido. Alguém pode falar que todo mundo tem que ser inteligente e tal, mas olha, como nós queremos ser reconhecidos como iguais aos heteros, com mesmo direitos e etc, se não nos tratamos igual? Se não queremos ter os mesmo direitos e deveres?

Quero, enfim, agradecer ao Ricardo e a todos os outros por terem me dado a oportunidade de pensar e refletir sobre minhas ações. Sou uma pessoa crítica não só em relação aos outros, mas também a mim. Errei, fui preconceituoso, mas acho que por um post - isso porque a maior parte daqui nem me conhece pessoalmente, não sabe absolutamente nada de mim -  não se pode simplesmente tachar alguém de fútil ou nazista.

O extremistas radicais são sempre nocivos à qualquer tipo de discussão. E eu estarei sempre aberto ao diálogo.
Ao contrário do que vocês podem pensar, eu olho no espelho e vejo um cara que já passou por muita coisa, mas que sempre continuará lutando não só pelos meus direitos enquanto cidadão, mas também pelos direitos do meu próximo, gay, hetero ou bi.

Obrigado.

PS: Meu teclado ainda está ruim, impossível comentar no blog de vocês, mas continuo lendo. Sempre.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

#filhadaputice² ou Sobre a Parada Gay

Cara, desculpem minhas ausências nos comentários, mais uma vez, mas estou sempre lendo os blogs, viu?

Então, ontem fui pra parada gay do Rio e posso dizer que estava uma merda. As pessoas bonitas ou fugiram daquele lugar ou estavam acompanhadas (e eu não consegui convencer nenhuma a fugir comigo). Encontrei alguns amigos, parece que um conhecido me viu e contou, ontem mesmo, pra todas as pessoas do meu ensino médio que me viu com um homem e tal (mal sabe ele que foram 2, beijos). 

Detalhe: ele é uma bee mal comida e fofoqueira, mas que tem contato com toda a escola ainda (estudei numa escola bem conhecida aqui no Rio). Não tenho problemas em nego dizer que eu sou gay, mas me incomoda um bando de gente que eu nem conheço ficar sabendo. Fora que não vivemos num mundo cor-de-rosa e se um dia eu precisar de algum homofóbico lá dentro? Será decisivo ele não saber que sou gay. Mas, ossos do ofício. Aí hoje uma pessoa vem e me pergunta que tá 'rolando uma estória' de que eu sou gay. Eu ry, né?

Sendo preconceituoso, a parada gay estava só pra bicha xoxota. Assim, nada contra, mas porque alguns viados precisam parecer mais mulher que do que as próprias mulheres (e nem to falando de sapatão), nem de travestis, que tem que parecer mulheres mesmo)? Não estou falando de ser afeminado (ou afetado, não consigo perceber muito bem a diferença, mas parece que ela existe), porque isso é uma coisa que não dá pra controlar e que não faz a menor diferença, afinal, é só o jeito que a pessoa é. Nego (ou seria nega) com a calça mega apertada, maquiado DESNECESSARIAMENTE (sério, colocar sombra pra que?) etc. E, pior, dando em cima de hetero COM FAMÍLIA, de mão dada com o filho.

Aí depois ninguém sabe porque tem gente que não gosta de viado, né? Porque as pessoas acabam achando que é sem noção por ser viado, quando uma coisa não tá relacionada com a outra. Aí dai surge aquele preconceito filho da puta que a gente não entende. Quando acontece uma coisa dessas, bate a revolta né? Pois o primeiro passo pra acabar com a homofobia é não abusar do status privilegiado que temos na parada gay (porque lá a maior parte é gay ou é friendly, ou seja, somos, por algumas horas, cidadãos). É não fazer putaria na rua (mijar na praia pode, beijos), não dar em cima de hetero assumido (soou engraçado), enfim. 

Então, quando eu acho que eu sou o maior filho da puta do mundo, vejo gente (sua citação finalmente chegou) que tá no meu nível. Encontrei um carinha lá, que "era" HT até pouco tempo e tal, e rola uma paixonite entre a gente. Daí a gente ficou rapidamente e eu com minha promessa de "NA PARADA EU NÃO CASO", falei com ele, com a maior delicadeza que, eu bêbado, pude encontrar. Ele ficou visivelmente chateado e eu, né, peguei um outro e casei (é, desisto disso, perti o timbre de pegação). Aí falo com o dito cujo daí de cima pra conversar com ele e tal, pra ele não ficar sozinho e etc.

Não dá 15 minutos e eles tão se pegando. E eu com a cara de:


Puto? Eu? Que nada. Achei engraçado e bom que eles tenham ficado, pelo menos sozinho meu ex-HT não ficou. Detalhe que os dois que eu peguei foram na frente do cara que eu tinha pegado (e dormido na casa dele, mas como um anjo) semana passada.

Puta? Eu? Que nada.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Luto Obrigatório

Hoje, por incrível que pareça, minha mãe e meu irmão não foram ao cemitério. Acho engraçado a devoção de ambos, até hoje, ao meu pai. É um rito ir lá no aniversário dele, dia de finados e no dia da morte.

Um rito que eu nunca participo.

Meu pai foi um bom pai. Não brigava muito com a minha mãe, nunca deixou faltar nada em casa, embora fosse de uma avareza peculiar. Me deu a educação e ajudou na formação do caráter que tenho hoje. Mas o Dia dos Pais nunca teve a mesma euforia do Dia das Mães. Sempre faltou afeto. Sempre faltou carinho.

Meu pai, embora presente, era ausente.

E isso nem tem nada a ver com a preferência, clara, dele pelo meu irmão. Eles eram parecidos em muitos aspectos, já eu, sempre fui mais apegado a minha mãe. Lembro de poucas vezes que meu pai demonstrou carinho por mim ou mesmo pelo meu irmão.

Apesar dos apesares, ele era um bom pai. Não mereceu a morte que teve, definhando em 3 meses, por um câncer que corrompeu primeiros os pulmões, depois o cérebro. Lembro como se fosse hoje, domingo, eu chegando do shopping com meu irmão e meu pai no sofá, como se nada tivesse acontecendo, enquanto minha mãe estava no quarto, falando ao telefone bastante nervosa. Meu pai simplesmente tinha esquecido o caminho de casa voltando de uma festa que eles foram.

Nessa época ele era kombista, ficou 2 anos desempregado (e vivemos mantendo o mesmo padrão de vida só com a poupança que ele tinha feito, a avareza teve um porque, afinal), o estresse era imenso. De repente ele só estava muito cansado, talvez tomasse algum remédio e ficaria tudo bem. Tolinho, eu. Tinha apenas 13 anos, não sabia nada da vida.

Dia a dia, minha mãe o viu definhar. Ele foi internado no dia seguinte. Eu o visitava com pouca frequência,  minha mãe demorou um tempo pra me contar que, provavelmente ele nunca se recuperaria e não gostava que eu o visse daquela maneira. Eram sempre visitas emblemáticas. A primeira foi depois de uma semana, ele levantou, me abraçou, disse que estava com saudades. Na segunda, ele já não se levantou com a mesma desenvoltura, já não estava tão parrudo, visivelmente mais magro. Na terceira, ele já não conseguia me abraçar e suas faculdades mentais já pareciam abaladas, a fala era difícil, sofrida. As frases não terminavam, as palavras eram trocadas.

Na quarta, as memórias já tinham sido afetadas. Ele lembrava vagamente de mim. A única memória que nunca foi apagada foi a de minha mãe. Fiquei um mês e meio sem vê-la, enquanto ela ficava 24/7 do lado meu pai.

Veio a cirurgia, e ele começou a se recuperar. Voltou pra casa,  já andava, a fala não era mais comprometida. Ficou uma ou duas semanas e teve uma convulsão. Eu não estava em casa. Como sempre, fui poupado até o último segundo. Ficou algum tempo no hospital e voltou para casa muito mais abalado. Até esse momento, ele não sabia que tinha câncer. Quando descobriu, desistiu. Desistiu de tentar viver. Lembro de uma conversa que tive com ele, implorando-o para não desistir.

A última já foi no CTI. Minha mãe achava que talvez já estivesse na hora de se despedir. Ele tentou conversar com meu irmão, houveram algumas trocas de carinho. Quando eu fui, ele não conseguiu falar. Chorou. E eu, claro, idem.

A última imagem que tenho do meu pai vivoé ele na cadeira de rodas, entubado, olhando pra mim, como que por pena e chorando.

31 de agosto foi o primeiro dia de internação. 15 de dezembro, o último.

A notícia veio e me derrubou. Nesse meio tempo, eu não sentia, realmente, falta do meu pai. Talvez porque ele estivesse perto, mas longe. Chorei muito no enterro. Depois, nunca mais. É como se eu tivesse me anestesiado, nunca senti saudade, falta ou tristeza por ele.

Enquanto minha mãe e meu irmão tiveram seu luto, eu tive o meu. Queria sair, queria ir ao shopping, à praia. Fazer qualquer coisa, menos ficar em casa. O engraçado é que sempre me julgaram muito por isso. Me julgam até hoje, aliás, porque eu nunca chorei pelo meu pai, porque eu não sinto saudade, porque eu não quis ir na missa de sétimo dia, porque eu nunca fui ao cemitério depois do enterro.

O luto é uma coisa individual, o meu foi simplesmente extraído. Acho que não sou capaz de me acabar de chorar pela morte de mais ninguém. É como se o meu luto já tivesse passado pra sempre. Eu mesmo me sinto um pouco mal por isso. Não quer dizer nem de longe que eu não amava meu pai. Sim, muito. Mas, é uma questão lógica, eu entendo que não há razão justificável para minha aparente frieza.

Mas, aqui em casa, o luto não é opcional, é obrigatório. E eu me vejo sempre disfarçando emoções pra não ter que dizer que o papel do meu pai na minha vida acabou dia 31 de agosto de 2004. Que as lembranças foram mortas no dia 15 de dezembro do mesmo ano. Que, pra mim, o meu pai morreu, de fato, e não voltará nunca mais.

Nem em pensamento.

EDIT: Reparei agora que esse é o post número 45. Essa foi a idade que meu pai morreu. Curioso, não?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Conteúdo preenche?

Ultimamente o blog tem estado bastante movimentado. Morry quando vi que em um dia (que não lembro qual, tamanha a felicidade) o blog teve 92 visitas. Gente, eu fiquei do tipo linha de telefone ocupada? Sabe, é bom saber que alguém no mundo com trilhões de coisas pra fazer na internet escolhem utilizar seu tempo e dar uma passada aqui, alguns se dão ao trabalho até de comentar! Fico muito feliz por isso, obrigado a todos.

(Detalhe que não consigo por figuras devido a uma manutenção do blogger, mas aceito, porque né...)

Voltando às minhas divagações antes que o teclado pare de funcionar, meu blog tem estado muito sério, muito chato eu tenho achado. Sei que os pensadores de plantão vão dizer "seu blog não é fútil, isso é uma coisa positiva", mas, gente, eu não aguento mais.

Sério, do tipo eu venho aqui e posto sobre homofobia, minhaexpulsãoinjustaqueroqueocoordenadormorra, mas cadê os posts sobre mim, de fato? Sabe, eu não me sinto à vontade de chegar aqui e contar do meu dia usando aquelas gírias super cômicas - convenhamos que elas são engraçadas - sobre fatos que não tem cunho de "fazer pensar". Mas aí eu fico com a nóia do blog-de-bobagens-desinteressante-que-ninguém-lê. 

Eu tenho uma face muito crítica, irônica, mas não é só sobre coisas sérias, propriamente ditas. Também é sobre nego querendo arrumar bapho (pronto, usei!) comigo e eu fazendo o superior até que ele fala mal da minha amiga (oi? ninguém fala mal dos meus amigos além de mim). Enfim, eu descobri um blog MUITO foda que super vou mandar um email pra Paty agradecendo a ela POR EXISTIR, é o Te amo, porra. Gente, que blog F-O-D-A. Eu simplesmente li todas as postagens até 5 de fevereiro. E vou terminar de ler o que falta - sim, li tudo de trás pra frente (sim, porque eu sou desses viciados em coisas boas). 

E do que se trata o blog? Tirando os momentos tragicômicos - seriam cômicos se não fossem trágicos - ela só fala da vida dela. Mas aí, de repente, ela surge com um assunto polêmico com uma espotaneidade e coerência de escrita que me pega despreparado e de repente todo mundo na república aqui tá me olhando com cara de "oi? porque você tá discutindo com o computador?". Enfim, uma das descobertas do ano, sem dúvidas.

E aí, enfim, não quero ser mais um blog vazio. Mas também não to aqui pra ser o Mr. Politician. Meu objetivo não é sucesso, é estar bem comigo, escrevendo o que eu quero. Mas que, de alguma maneira, atinja os outros. É por isso que eu tenho um blog e não um diário. Porque, quando você muda, o mundo muda com você. E penso que o blog é uma ferramenta sensacional de mudança. Pelo menos é uma que me atinge em cheio.

Depois desse momento #desabafo, quero que vocês saibam que eu já deletei o que eu ia escrever 3 vezes eu desisti de escrever. Um dia faço um post sobre.

Edit: Sem condições de comentar no blog de vocês, meu teclado tá um lixo (na verdade nem é meu, por isso está essa merda). Mas eu continuo acompanhando. Cansei de digitar pelo teclado virtual. #queromorrerbeijos. (Detalhe que de repente voltou a funcionar, mereço?)