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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Breaking News

O próximo episódio trataria do segundo dia do meu réveillon e seria postado hoje. Mas, ocorreram duas coisas que me fizeram optar por um post intercalado.

A primeira delas foi uma ligação que recebi ontem de um número desconhecido. Como a única pessoa que me liga de número desconhecido é o Visão, já peguei o telefone desanimado, pois sabia que depois de 30s de conversa ou a ligação cairia, ou ficaria muda, ou meu celular ficaria fora de área, enfim. Dias e dias sem ter uma conversa normal graças ao incêndio da Oi.

Pois bem, atendi o telefone e ouvi algo do tipo "A Glaxo mi mi mi...". PARA TUDO, BRASIL. Eu tinha feito um teste online pra um estágio na glaxo na metade de dezembro, mas nem estava realmente esperando que eles me chamassem, pelo menos não agora. Sei que respondi sim pra todas as perguntas - além da ligação estar péssima eu fiquei tão nervoso que só falava 'sim, tudo bem', 'você pode comer meu cu sem vaselina se quiser' 'está ótimo'. Fato foi que só lembrava o horário da entrevista. Foi hoje às 9h. Me preparei, ajeitei currículo, pesquisei horrores sobre a Glaxo, separei uma das duas únicas roupas sociais que eu tenho e fui.

A oportunidade de um estágio em qualquer indústria farmacêutica de grande porte, se conseguida, é suficiente pra eu, literalmente, sair de casa. Pra sempre, não depender mais financeiramente da minha mãe em nada. É a minha chave pra independência. Pra poder sair pra beber no bar com os amigos sem se preocupar quando dará a conta, porque eu poderei pagá-la.

Cheguei lá 1:30h (morar longe é foda, ou você chega cedo ou tarde demais) e fiquei fazendo hora no McDonalds até dar um horário mais próximo ao da entrevista. Chegando lá, fui encaminhado uma sala (medo do que essas empresasa de RH fazem, você espera testes malucos, já tava pensando em que animal iria imitar e que super-herói seria etc). Ganhei um teste que diria meu perfil profissional e etc, sem respostas certas ou erradas, apenas pra traçar determinadas características. E duas redações pra fazer: uma em português e outra em inglês. Pensei logo "fudeu", sempre me enrolo um pouco pra escrever em inglês porque não lembro daquelas regrinhas de 'in, on, at, meu cu, etc'.

Agora pasmem: o tema da redação em português era "Descascando o Abacaxi" e só. Fiquei chocado, porque né, como assim sem nenhum texto de apoio. O texto em inglês era de tema livre. Ambos sem rascunho e direto à caneta, vê se pode? Agora saquem meu texto de merda: "Conversas de Bastidor" era o título, o tema era sobre relações diplomáticas e comparei a resolução de conflitos com descascar uma abacaxi. Ok, Brasil, riam, mas na hora foi a única coisa que eu consegui pensar.

Fui pra entrevista e, embora eu ache que a mulher gostou de mim, ela disse que a vaga que tinha não se encaixava muito no meu perfil, pois tratava de assuntos regulatórios, revisão de bula de medicamentos, aprovação de importação de matérias-prima etc. Mas, disse que se eu quisesse, poderia concorrer a esta vaga, porque tinha passado dessa etapa. Ela ainda sugeriu que eu esperasse aparecer uma outra vaga, na área de P&D, Farmacovigilância, Marketing ou Produção para poder me candidatar. E me deu até semana que vem pra eu decidir. E aí, Brasil, como joga? De forma geral, fiquei satisfeito e feliz. 

Medo vai ser quando eles lerem a redação.

O segundo assunto é...chato. Pouco agora acabei de ler isso e isso, e fiquei de cara. Porque eu nunca fui desses de sonhar com amor impossível, sabem? Aliás, até pouco tempo eu nem sonhava com amor at all. Nessas situações acho que eu tenho o pior comportamento possível: simplesmente me fecho e isolo as lembranças da minha cabeça.  Porque dói pra caralho quando você tá curtindo alguém e essa pessoa também tá te curtindo, mas vocês não podem se ver, não podem se tocar, não podem sem se falar (te amo, Oi).

Semana que vem ele tá pegando o avião pra Rússia e eu ficarei por aqui. Nem sei quantos quilômetros nos separarão. Acho que se tem uma música que pode traduzir o que eu estou sentindo agora, é essa:

Remember all the things we wanted
Now all our memories, they’re haunted
We were always meant to say goodbye
Even without fists held high, yeah
Never would have worked out right, yeah
We were never meant for do or die
I didn’t want us to burn out
I didn’t come here to hurt you now
I can’t stop


I want you to know
That it doesn’t matter
Where we take this road
Someone’s gotta go
And I want you to know
You couldn’t have loved me better
But I want you to move on
So I’m already gone


Looking at you makes it harder
But I know that you’ll find another
That doesn’t always make you wanna cry
Started with a perfect kiss
Then we could feel the poison set in
Perfect couldn’t keep this love alive

You know that I love you so
I love you enough to let you go

I want you to know
That it doesn’t matter
Where we take this road
Someone’s gotta go
And I want you to know
You couldn’t have loved me better
But I want you to move on
So I’m already gone

I’m already gone
I’m already gone


You can’t make it feel right
When you know that it’s wrong
I’m already gone
Already gone
There’s no moving on
So I’m already gone
Already gone
Already gone
Already gone
Oooo, oh
Already gone
Already gone
Already gone
Yeah

Remember all the things we wanted
Now all our memories, they’re haunted
We were always meant to say goodbye


I want you to know
That it doesn’t matter
Where we take this road
Someone’s gotta go
And I want you to know
You couldn’t have loved me better
But I want you to move on
So I’m already gone

I’m already gone
I’m already gone
You can’t make it feel right
When you know that it’s wrong

I’m already gone
Already gone
There’s no moving on
So I’m already gone

Beijo enorme, Visão. E você ainda me deve sua foto.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Concurso de Piroca

Eu 'saí' da faculdade mas ela não saiu de mim. E como a melhor forma de tirar algo da cabeça é falando sobre, cá estou eu.

Outro dia estava conversando com um amigo e ele estava reclamando horrores da falta de tempo pra sair e eu embarquei, ainda mais na minha vibe queroqueminhafaculdadepeguefogo, numa total #uerjfeelings. Aí, inconscientemente, entramos naquela disputa de qual cruz é maior. Qual é a faculdade mais difícil de se levar, afinal?

Antes de começar a discussão, é preciso definir faculdade difícil de faculdade pesada. A dificuldade de uma faculdade também está relacionada com o fato de ela ser pesada ou não, mas, em geral, está mais vinculada às dificuldades das matérias em si. Embora, sozinha, não seja um bom parâmetro, a quantidade de alunos reprovados também diz muito da dificuldade de uma disciplina - com as exceções dos professores mal-comidos e pau-no-cu que existem em todas as faculdades, embora as de exatas sejam privilegiadas por motivos óbvios. Resumindo, uma faculdade é difícil quando tem muitas disciplinas difíceis de se obter aprovação, e é pesada quando tem uma grande quantidade de disicplinas.

Ele faz Ciências Sociais. Preciso falar mais alguma coisa? Uma pessoa que puxa o período normal de faculdade, faz 300 horas por período, tem dias livres na semana. Tem que ler muita coisa? Tem. Mas ir pra aula, precisa? Não. 

Eu faço Farmácia, meu semestre tem no mínimo 500 horas. Dias livres? Não conhecemos. De livre eu tenho em geral aquele horário de almoço antes de 4 - às vezes 6 horas - seguidas de aula. Preciso salientar ainda que só puxo meu período normal, o que tá na grade mesmo. Adiantar matéria? Impossível.

Isso porque eu ainda nem entrei no mérito de resto x humanas. Com algumas exceções, é fato que os cursos de humanas são mais tranquilos que os de exatas e da área da saúde. Em geral, os cursos de exatas não são muito pesados, mas são muito difíceis, enquanto os cursos da área da saúde são extremamente pesados (existem exceções, óbvio), mas não são muito difíceis. Medicina, porém, é em disparado o curso mais pesado que existe, embora não seja difícil, propriamente falando.

Farmácia é a exceção da área da saúde por um motivo simples: faço matérias em TODAS as outras faculdades, ou melhor, institutos. Tive aula de disciplinas vinculadas à área de humanas, exatas e biológicas, obviamente. A diferença é que, ao contrário de um curso de engenharia, que é extremamente difícil, eu tenho menos tempo pra estudar. Sem contar as atividades extracurriculares, como iniciação científica e estágio.

Continuando a discussão eu parei pra pensar um pouco melhor e me perguntei "Qual o propósito disso?". Qual a serventia de ficar discutindo qual é a faculdade mais difícil? Simples: ninguém gosta de ficar por baixo. Ninguém gosta de se ver em desvantagem quando alguém que, teoricamente tem uma carga de trabalho maior que a sua, consegue aproveitar o tempo melhor que você. É aí que sempre começa a discussão do 'ah, mas você faz Medicina, né? Só decorar' ou 'ok, você faz cálculo XXV, mas tem 2 dias vagos por semana...', entre outras.

É como se você fosse o incompetente da estória. Além disso, a desculpa do 'tempo', da 'dificuldade', cai como uma luva pra justificar os fracassos que, muitas vezes, nada tem a ver com a faculdade em si. É uma forma simples de se retirar a culpa e a responsabilidade que temos nas nossas derrotas também.

No final, tudo bobagem. Ficar discutindo qual é o curso mais difícil? Não há relevância alguma. Só torna a discussão chata. É como ficar medindo quem tem a maior piroca. A diferença é que as pessoas discutem quem é fudido pela maior.

PS: Aposto que o título fez vocês pensarem que o assunto do tópico era outro, hahaha.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Pior Período da Minha Vida

Sim, eu vivo. Embora a faculdade tenha exterminado completamente minha vida social (nem lembro mais como é beijar na boca, #fikdik) e virtual (se eu estivesse em casa, teria um teclado e poderia digitar, beijos), eu ainda estou vivo.

O segundo semestre de 2010 foi, pra mim, o maior dos sacríficos, um martírio interminável (que ainda não acabou, por sinal, amanhã tenho duas provas, uma às 7h e outra às 14h), que acabará amanhã. Foi o período da faculdade com os últimos dragões: Orgânica VII e Físico-Química VII. Entenda-se por dragões matérias que tem mais de 50% de reprovação e são consideradas "gargalos" no curso de Farmácia.

Passei, nas duas. Consegui, ao contrário de muita gente, matar os últimos dragões do ciclo básico. Mas com isso também veio minha primeira VS, ou seja, a primeira vez que eu não passei direto. A primeira vez que minha competência foi, de fato, posta à prova. Passei, mas essa prova deixou marcas. Gravou em mim a marca do "Você não é inatingível. Você é tão suscetível ao fracasso como qualquer outra pessoa". Ah, o fracasso.

Esse período foi o primeiro período, depois de um ano, em que não ganhava dinheiro nenhum a não ser o da minha mãe. Foi o período em que eu mais sofri, financeiramente, por querer ostentar uma vida que não cabia mais a mim. Não neste período, não nesta situação.

Mas, de tão calejado de negativismo no olhar, eu também aprendi a ver as coisas boas. Foi nesse período que eu criei o blog, fiz uma penca de pessoas pelas quais eu tenho um apreço enorme, fora algumas que já foram promovidos a amigos, como ____ e _____. (Se eu citar nomes vai ter gente se mordendo de ciúmes, né?).

Foi nesse período que eu percebi que embora eu tenha, de algum modo, um dom para a faculdade, eu tenho que estudar, tenho que ter compromisso e, acima de tudo, ânimo, mesmo quando a faculdade age como um dementador, sugando toda sua energia e felicidade.

Foi nesse período, que embora eu tenha descaralhado completamente pra faculdade, eu percebi que eu tenho que ser responsável.

Foi nesse período, enfim, que, ao chegar ao final, eu estou agradecendo.

Porque se até o Pior período da minha vida tem o que me ensinar, imagina o melhor?

PS: Amanhã, meu período, finalmente, termina. Amanhã, volto a ter vida social. E, assim, vida virtual, lendo e comentando o blog de vocês, que fazem minha vida um pouco menos difícil.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Don't Let Me Get Me

[Detalhe que escrevi o texto inteiro e o blogger comeu, sem salvar rascunho. Borboleta, querida, publicarei o selo em breve, ok?]

Eu tava vendo os arquivos do blog esses dias e  percebi que só fiz 6 postagens em novembro. Minha meta era ficar em torno de 20. Claro que, em parte, isso se deve ao fato do meu colega de quarto pouco se importar em conversar no msn, escrever email e etc com o teclado virtual, mas que é impossível pra mim, ainda mais com o blog. Mas o blog é apenas a exposição do que eu sinto e penso. Ironicamente, eu tenho sentido e pensado tantas coisas, mas não consigo simplesmente escrever sobre elas.

Essa semana vou deixar de lado um pouco a polêmica (que embora seja ótima e eu adore, cansa) e falar um pouco de mim (como se eu não fosse polêmico). Ultimamente tem algo que está difícil de compartilhar até com meus amigos.

Minha vida anda desandando. Entendem? Pela primeira vez na vida eu não passei direto na faculdade (não só na faculdade, eu nunca fiquei em matéria nenhuma) em uma máteria, a prova é amanhã e nem estou mais desesperado. Estou conformado. O que é um problema já que eu possuo, efetivamente, chances concretas de passar. Mas eu não sinto ânimo pelo estudo. A faculdade, em si, tem sido um grande fardo pra mim. Não é só questão do fim de período e de professores sem noção (esse período bateu o recorde) é a própria faculdade me fazendo repensar todos os dias porque eu não sou atleta.

Minha bolsa não dá nem sinal de vida (já disse que odeio os funcionários do setor administrativo?) e talvez só caia ano que vem. Minha mãe continua pertubando me perguntando eventualmente quando irei arranjar uma namorada e eu já desisti de falar que "is just not going to happen". Meu irmão, com idade mental de 7 anos e idade física de 23, ainda pensa que minha mãe gosta mais dele e fica fazendo musiquinhas com meu nome (oi?).

Vejam bem, eu não estou reclamando como aqui, estou só me perguntando porque, apesar de tudo, eu não consigo sentir a motivação pra continuar. Eu olho pra trás e, mesmo sabendo tudo que já conquistei, não consigo sentir aquele impulso de "se eu já consegui superar isso tudo, conseguirei superar o que tá me acontecendo agora".

É o gosto amargo e azedo do fracasso. Como se eu estivesse sendo incompetente em tudo na minha vida. Com minha família, com minha faculdade que não dou mais conta, na vida amorosa eu nem quero pensar, porque né, não quero gente soluçando na frente do PC.

É o mesmo gosto de quando todo dia na escola me chamavam de viadinho, de quando meu casaco sumiu e eu o encontrei todo rasgado no refeitório, de quando minha mãe negou comprar uma revista quinzenal de 3,90 que era tudo que eu queria, mas comprava seu maço de cigarro todo dia. É quando eu mostrava os roxos no meu corpo pro meu pai, pintados pelos punhos do meu irmão, e ficava igualmente de castigo. É como quando vi meu pai numa cama e sabia que dali em diante nada mais eu podia fazer.

É uma sensação de impotência com a própria vida.

Eu já consegui muita coisa nessa vida. Consegui passar no concurso pra todas as escolas técnicas do Rio, saindo de uma escola municipal; consegui me formar na Fiocruz, defendendo minha monografia com 100% de aproveitamento, sendo que eu fazia estágio e alemão na UFRJ naquela época; passei em todas as faculdades públicas do Rio que eu prestei e consegui 100% de bolsa na PUC pelo ENEM, mesmo não tendo feito pré-vestibular; consegui não ser odiado na faculdade como eu era no ensino médio; tomei coragem e saí do armário pra um bocado de gente...

Mas ainda é como se eu não fosse capaz de lidar com a pressão, principalmente na faculdade, de conseguir passar em tudo, de conseguir passar bem nas matérias, de, de fato, aprender alguma coisa. É como se eu sempre tivesse sendo arrastado pra um poço em que nas paredes sempre está escrito 'fracasso'. Eu só quero encontrar motivos pra não desistir de tudo.

Eu sou o meu pior inimigo. E isso dói. Dói muito.

O que mais dói é que eu não consigo responder a uma pergunta. Porque sempre que o fracasso bate a minha porta eu não consigo, simplismente, girar o trinco e deixá-lo trancado, lá fora, pra sempre?