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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Erro de Cálculo

Sexta eu doei sangue pela manhã e à noite fui beber. Eu tinha uma hipótese de que doar sangue era economicamente vantajoso. E olha, não podia estar mais certo. O problema é que o cálculo tem que ser muito bem feito, se não...

Bebi vodka, bebi 3 long necks. Após um pouco mais de 1 hora de mistura...PT. Para os que não sabem o que PT significa no mundo dos bêbados (todos já ouviram essa expressão para carros que sofreram acidentes, né?) é, basicamente, o semi-coma alcóolico. Vomitar algumas vezes não é PT, porque, geralmente, depois que você vomita e bebe água, fica tudo bem. 
Segundo relatos - não lembro nem de ter entrado na festa - aproveitei durante 5 minutos. Sentei e a maratona de vômitos começou. Ainda segundo relatos, foram mais de 2 horas vomitando direto, até o ponto de vomitar o vazio - quem já passou por isso sabe o quanto é ruim. Lembro de alguns flashes:

- Alguém levantando a minha cabeça para eu olhar um amigo que veio ver como eu estava, porque eu mesmo não conseguia fazer isso;

- Eu esboçando algumas coisas para o Júlio sobre o fato dessa merda estar acontecendo logo na primeira vez que eu saí com o Lobo e ele me tranquilizando*;

- Eu tentando dizer para um amigo que eu não conseguia segurar a garrafa de água para beber enquanto ele pedia para eu beber água pelo amor de Deus;

- O gosto maravilhoso da água gelada na minha boca.

Antes que comecem os julgamentos (que provavelmente já começaram) eu NÃO me orgulho de ter ficado assim. Não acho nem um pouco legal passar mal por causa de bebida, estraga a noite dos outros (pobre Júlio que me acudiu a noite inteira depois que eu passei do momento em que eu não conseguia ficar SENTADO sozinho) e você não curte nada. Por isso, é importante planejar que essas coisas NÃO são planejadas. Elas acontecem e são uma merda.

Óbvio que fui irresponsável de ter bebido o que eu beberia normalmente com 0,5 L de sangue a mais. Acho que já falei sobre isso aqui. Acho que nesses momentos é eu realmente vejo aqueles que se encaixam na minha definição de amigo. Amigo não é aquele que passa a mão na sua cabeça quando você faz merda, mas é o que dá esporro na hora certa. Imagina, eu lá, quase em coma alcóolico e nego me esculachando? Sorte que eu tenho desses (embora lembre dos olhares julgadores malditos do Lobo).

No dia seguinte ainda saí de novo, bebi de novo, dessa vez na medida certa, tão certa que nem fiquei bêbado, mas aproveitei lindamente a noite. E olhe que a festa foi just ok. Cheguei à conclusão de que house e derivados são músicas que servem para tocar no máximo 5 minutos. Depois disso, sem drogas ou muita bebida, não dá para aproveitar.

Ainda lembro da menina que estava em um estado um pouco melhor do que eu na festa de sábado (ela conseguia chorar e tentava falar seu nome para mim) que eu assim que vi, acudi. Perguntaram se eu estava fazendo enfermagem agora, mas não é isso. É questão de solidariedade mesmo. Não tenho a menor vocação para ficar cuidando das pessoas, mas eu sempre penso: podia ser eu, como fui eu ontem. Ajudar um bêbado, mesmo que conseguindo um copo d'água apenas, não custa nada. Campanha Ajude um Bêbado.

*Vocês lembram de quando começaram a estudar os números inteiros (+ e -)? Que nos cálculos de multiplicação e divisão você errava o sinal, mas no final acabava errando o sinal de novo e, o resultado, acabava saindo certo? Foi tipo isso. Eu lá jogado na sargeta e Lobo se atracando com um cara que conheceu porque eu estava daquele jeito e ele veio me ajudar. Júlio pegando outro que sentou perto dele para ver como eu tava.

Gui, fazendo casais mesmo com um pé na cova.

Apenas uma coisa: ESCREVO CERTO POR LINHAS TORTAS.

domingo, 16 de janeiro de 2011

A Maldita

Nunca neguei que tenho vocação pra ser a maldita. Call me inconveniente, mas eu tenho sacadas boas pra situações ótimas e só erro em torná-las públicas em alguns casos, nos quais eu sempre peço desculpas (naturalmente, quando bebo, esses casos se tornam...mais comuns). De resto, todo mundo que me conhece sabe que sou de uma ironia e acidez ímpares e, em geral, meus amigos também são assim. Claro, que eu evito fazer isso com pessoas que eu não conheço, mas quando conheço...

Ontem foi o 3º Maravilhoso, Estupendo e De Dar Inveja Em Todo O País Encontro de Blogueiros Cariocas e Simpatizantes (MEDDIETOPEBCS), realizado no Nova América, zona norte do Rio. O primeiro ponto a considerar foi uma constatação, pra mim, um tanto quanto triste: encontro na zona norte não vinga. O shopping era integrado ao metrô, então, não entendi a vibe errada de certos blogueiros de não terem comparecido, assim, sem qualquer motivo aparente.

Porque eu penso o seguinte, o encontro de blogayros não é uma socialização pra falar dos blogs ou coisas do tipo. Embora, eventualmente, alguns barracos assuntos de blog até sejam tocados, o principal do encontro é poder ouvir um pouco da vida das pessoas que você já lê todos os dias (ou com alguma frequência, não importa). É o poder de romper essa fronteira virtual que separa a gente na maior parte do tempo por motivos óbvios: trabalho, dinheiro, etc. É como se pudéssemos reafirmar a importância do conhecer real, em carne em osso. Viajei?

Assim, cada um tem seus motivos e eu não sei o de cada um que não foi, mas, sinceramente?  Não entendo esse sentimento de superioridade que o pessoal que mora na zona sul tem em relação à zona norte e oeste. Claro, falando em qualidade de vida, etc, é meio óbvio, porém, é aquela coisa que falei anteriormente: é questão do encontro e tal. Ninguém está pedindo pra frequentarem a zona norte. É só uma ida, principalmente pelo fato de ser um lugar acessível ao Dan, que ainda está se recuperando do acidente. Custa fazer um esforço? Metrô do lado? Eu moro longe, e iria onde quer que fosse, só pelo prazer imenso da companhia de vocês.

Além disso tudo, porque você pode pegar blogayros. *se defende das farpas*. Ora, tem blogayro de tudo quanto é tipo na blogsville, gordo, magro, de barba, depilado, baixo, alto, enfim, é só escolher o seu! Não vou falar das minhas experiências, porque né, meu trabalho aqui é expor aos outros, não a mim. Se eles quiserem que me exponham. Mas, assim, todo mundo sabe que isso é possível na blogaysfera. E, vou te contar, graças a Deus.

Sem mais enrolação, compareceram ao encontro Dan, Rafa, Lobo, Julio e Bruno. Um amigo meu também foi, uma vez que, após o encontro, íriamos ao Chá da Alice, uma festa no Circo Voador, Lapa. O encontro foi ótimo, falamos uma série de bobagens, gonguei o Lobo até cansar, rimos horrores de várias situações, fofocamos muito. Enfim, um encontro como tem que ser: descontraído.

 Vem, gentchy!

Nisso, as pessoas ficando um pouco chocadas com meu conhecimento sobre quem pegou quem, quando e onde a blogaysfera, me chamando de fofoqueiro e olha. Prefiro informado. Só tenho o trabalho de cruzar informações que os próprios envolvidos me dão. Only.

Então, vamos a maior revelação da noite? Eu já sabia que rolava um climinha entre Lobo e Julio, já tinha sondado e cheguei a conclusão de que o encontro seria per-fei-to. Eu juro que fui sutil no início, assim que chegamos falei "Júlio, senta do lado do Lobo e puxa algum assunto". Júlio, nada. Eu, claro, como bom amigo que sou, sabendo da timidez, troquei de lugares com ele e quando Júlio foi ao banheiro..."E aí, Lobo, rola?", isso tudo sem que os participantes percebessem (ou fingiram que não estavam percebendo muito bem).

Hora de partir, acompanharíamos Lobo até o ponto de ônibus pra ele poder ir pra casa até nisso pensei, caso o Nova América não fosse muito friendly ou os dois fossem lentos demais, não sou um gênio? em segurança. Aí, no caminho para o metrô, Bruno começa a conversar com meu amigo, teoricamente hetero, mas que eu tinha certeza que era gay e depois de 10 minutos de conversa, grita, no meio do shopping:

É OBVIO QUE VOCÊ É BICHA!

Aí nego fala que eu que sou indiscreto. Meu amigo? Riu. Nisso, eu fui removendo Rafa empata foda da conversa de Lobo e Júlio, que hablaram bastante até o metrô. Eu, claro, estrategicamente, situei meu amigo e Bruno sentados juntos, Lobo e Júlio, também. Quando, de repente...

Eu: Rafa, tô chocado.
Rafa: É, eu também.
Eu: Rafa, você não tá entendendo, olha aquilo, tô chocado.
Rafa: Eu sei, eu também.
*intervalo de 10s*
Rafa: Gui, tô chocado!
Eu: Eu tava tentando te dizer isso há muito tempo, porra.

Pessoas no metrô olhando, uma senhora do meu lado fechou os olhos e a outra olhou meio indignada. Porque? Rolou pegação na blogaysfera, né? Local? Metrô Linha 2 Del Castilho sentido Centro. HAHAHAHA. Claro que rolou um sentimento de vitória e tal, mas aí eu e Rafa começamos a falar alto, que aquilo tinha que ser naturalizado, que as pessoas tinham que ser felizes do jeito que elas quiserem. Nesse momento, Lobo e Júlio mega sem-graça por algum motivo que não entendi.

Nos despedimos de Rafa e saltamos na Cinelândia, onde Lobo resolveu pegar um táxi. Claro que, na despedida, rolou aquele beijo cinematográfico e Lobo foi em direção ao táxi. Continuamos seguindo e, alguns segundos depois, Lobo vem com a gente dizendo que o taxista não estava fazendo corrida. Oi? Como assim? O taxímetro ligado e tudo. Claro que senti logo o cheiro de homofobia e falei, no alto do bom senso: "Quer voltar lá, Lobo? Eu mesmo falo com ele se você não quiser." Diante da resposta negativa, comecei logo o discurso, né?

Eu já comentei em alguns blogs sobre fazer barulho nesse tipo de situação. Acho que as coisas não se conquistam se ficarmos quietos diante desse tipo de situação. Se nós não nos fizermos ouvir, quem fará? Porque né, já sabemos da falta de competência das autoridades e acho um ABSURDO termos que nos privar de gestou simples de afeto como um beijo de despedida. Nada tinha ali de agressão aos bons costumes, nada tinha ali de maldoso. Então quem esse taxista pensa que é, negando a corrida a alguém só pelo fato de ser gay?

Porque eu jamais vou deixar de fazer determinadas coisas simples como beijar alguém, ainda mais em lugares friendly como é a Lapa, pelamor. Fato foi que Lobo conseguiu pegar um táxi na Lapa mesmo. Fomos à festa e, logo no início, eu, finalmente, consegui arrancar esse amigo do armário, do modo mais sutil possível,  e espero que não tenha causado traumas. E acho que não, pela mensagem que ele mandou pra Bruno pela manhã. 

A festa tava mediana, aproveitei razoavelmente. Fomos embora, levar meu amigo no ponto quando um bando de pitboys ou sei lá o que, provavelmente voltando de alguma boatezinha hetero escrota e fedorenta do centro começaram a gritar coisas como "Vai viado, vem aqui dar o cu" etc. Claro que eu ignorei, mas aí perguntou, não existe homofobia? Porque, pelo meu conhecimento, ninguém sai por aí gritando "Vai heterozinho, vem aqui comer minha buceta" ou "Vem aqui me dar, sua heterozinha". O mais engraçado é que só estávamos conversando, baixo, sem qualquer tipo de expressão de afeto. Tudo porque aquele caminho é de um matadouro lugar bem conhecido do centro: Cine Ideal.

Mas, sobrevivemos.

PS: Passei o post inteiro pensando se deveria fazer isso. Mas, como a pessoa me chamou de maldita, futriqueira, fofoqueira e derivados tantas vezes, merece.

"Curtam bastante! Não quero foto de beijo meu circulando por aí, e dá mais um beijo no Júlio por mim :p. No busão já."

De Lobo para Guilherme. 15/01 23:46.

Maldita? Sim, beijos.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

The 5 Day Réveillon: 0x0 ou 00

Antes de começar o Season Finale da edição dupla dos dias 1 e 2, tem um diálogo do episódio passado que esqueci de retratar. Só pra lembrar: eu estava bêbado. Minha mãe também. Ela conseguiu me ligar por volta das 2 da manhã e aí:

Mãe: *Todo blá blá blá clichê de ano novo*.
Eu: Ah, mãe, sabe o que eu desejo pra você? Muito piru...
Mãe: Ai, filho, só preciso de um, você sabe, né...
Eu: Sei, o do fulano...
Mãe: É, eu queria tanto que vocês o aceitassem...
Eu: Se ele não tivesse tentado te bater...Mas isso é passado, sabe como eu passei o Ano Novo?
Mãe: Como?
Eu: Dando um beijo triplo!
Mãe: Ai, meu filho, eu não estou preparada pra isso ainda não. Me dá mais um tempo...
Eu: Porra, mãe, já faz mais de um ano...
Mãe: Eu sei! Mas eu tenho meu tempo...Só vai com calma entre 4 paredes...
Eu: Mãe! Que tipo de filho você acha que tem?
Mãe: Um filho que dá beijo triplo no Ano Novo, no meio da rua?
Eu: *Chocado*
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Season Finale

O dia 1 foi um dia sem graça. Primeiro porque o amigo do Bruno que foi passar o Réveillon com a gente (e que ficou excluído do beijo triplo) estava roncado que nem uma porca mal amada, impedindo nosso sono até a hora em que ele foi embora, por volta de 12:00. Chegamos às 7 e pouca, então conversamos muitas coisas que eu já não lembro mais, mas em uma situação um tanto cômica: os dois pelados enrolados em dois lençois que eles estavam divindo comigo, e eu no meio. #surubafeelings

Ao longo do dia nada de muito interessante aconteceu, estavámos aguardando a noite para irmos para o inferno Cine Ideal. Entretanto, tínhamos planos de ir pra 00 (uma boate famosa no Rio, que fica na Gávea, Zona Sul) no domingo, o que pesaria no orçamento. Então, acabamos indo à uma private no cu do mundo em Niteroi, que foi legalzin e tal, mas serviu mesmo só pra torrarmos 10 reais de passagem.

Acordamos no domingo já pensando como seria a 00 e eu já combinando com um chileno que estava pra pegar desde 2010 pra ir pra lá. A 00 é conhecida por seu público alvo: gente rycah e bonita. Em geral, o nível do público lá é bem superior a maior parte das boates, talvez pelo fato de uma long neck custar 8 reais. Fato é que fui lá duas vezes, nas duas não peguei ninguém. E eu, que já me acho a última bolacha do pacote, fiquei em crise, né? Porque o problema não é pegar em si, é não se sentir desejado. 

Acho hipocrisia falar que vai pra night pra dançar. Porque se você quer dançar só, então porque vai pra night gay? Pode ir pra night hetero que não vai fazer diferença, né? Porque você até pode sair sem intenção de pegar alguém, mas todo mundo que vai pra night, no fundo ou no raso, quer se sentir desejado. Você se arruma pra isso. O problema que acontecia na 00 comigo era esse: lá, eu não me sentia desejado. Até brinquei com o nome da boate: 0x0.

Mas, com objetivo de começar o ano com o pé direito (e esquerdo também, porque não sou manco) já fui na vibe:

 Vem, que tô facim.
Entao fomos, embelezados em Cristo, para a tal boate. Ficamos algumas horas esperando ônibus e tiramos várias fotos como bom pobre que se arruma pra sair, essa foi a única decente:
Sou vesgo e você?
Chegamos lá com uma fila absurda. Ficamos duas horas e meia na fila. Nesse meio tempo, eu e meu amigo conseguimos convencer o Diego a entrar com a gente. Embora ele tenha feito a diva durante longos minutos, acabou cedendo e lá fomos nós. 

Eu e Bruno já começamos os trabalhos e, resumindo: arrastei um cara que tava com amigos do ex pra porta do banheiro, depois de pegar um espanhol lindo (finalmente entrei na Europa BEM) fui vetado porque era 'novinho demais' (fiquei chocado muito tempo), depois fiquei pegando o chileno que chegou bem tarde, dei um perdido nele e tentei pegar um paulista (por isso que não gosto de paulista, são sempre nojentos, com poucas exceções, claro) que me deu meu primeiro toco (nem doeu muito, eu tava com uma sensação horrível de traição, nervoso, devo ter gaguejado). Com isso, finalmente quebrei a maldição do 0x0. Ufa!

Bruno? Pegou um carinha, depois pegou o amigo dele, depois pegou um urso que não tinha pegado ninguém ainda e estava dando vodka pra ele, aí ele foi buscar mais e quando voltou Bruno estava atracado com o amigo do carinha de novo, então o urso deu um show e saiu desiludido do Rio. Depois ele pegou um cara que ele já conhecia do Cam4 (medo). Nesse meio tempo eu dando maior força pra ele fazer pegação, "trair" o urso, etc. Sou Aquele amigo que joga o nome do coleguinha na boca do sapo mesmo um amigo ruim?

Voltamos pra casa e quando chegamos, conversamos um pouco, a única coisa que pude pensar foi:

Obrigado por terem me dado o melhor Réveillon da minha vida.