terça-feira, 3 de maio de 2011

Never Again

Ontem era um dia normal como qualquer outro, eu estava voltando da faculdade, depois de uma prova escrota e saí rápido da faculdade. Aliás, pra variar, esse é o principal motivo da minha ausência por aqui, e por aí

É impressionante como meu desempenho acadêmico é importante para o meu humor. Tinha ido mal, estava puto e acabei esbarrando em um cara na saída da faculdade, nem olhei para trás, nem pedi desculpas, apenas saí andando. Poucos segundos depois ouvi um barulho e uma dor absurda nas costas. 

Estava caído no chão, perdi um pouco a noção do tempo. Não conseguia levantar, embora tentasse com toda minha força. Conseguia mexer a mão muito pouco. Minhas pernas estavam dormentes. Depois de algum tempo, alguém abaixou e tentou conversar comigo. Lembro que dizia o que ela podia fazer por mim. Era uma mulher, talvez uma amiga. Ainda não apareceu por aqui. 

Pedi que ligasse para minha mãe e, óbvio, para o 192. Ela riu e disse que era impressionante como exatamente nesses momentos eu conseguia manter a sobriedade. A esse ponto, eu só me sentia muito cansado, molhado. Talvez fosse o Sol e eu estivesse suando. Mas eu estava tão cansado, e essa mulher falando comigo nervosa, gritando. Eu só queria que ela calasse a boca.

De repente, me dei conta do que tinha acontecido. Como num estalo, tudo fazia sentido. Mas não era a causa que me preocupava. Era a consequência. Comecei a pensar na minha vida a partir dali. Não parecia que eu ia morrer, pelo menos. Me imaginei vivendo sob uma cadeira de rodas. Quem sabe, poderia até digitar? (Hoje comprovo que sim, como vocês podem ver).

Mas doía tão fortemente quando pensava que minha vida amorosa estava acabada. Não mais sairia para boates, bares e eventos gays em uma cadeira de rodas. Quem me olharia? Todos. Porém, olhariam com aquele olhar de pena, talvez pensassem 'Até é bonito, mas...'. Seria o 'mas' eterno da minha vida. Percebi, nesse momento, que uso muito a palavra 'mas'. Talvez tenha sempre que justificar as coisas, não sei.

Tivesse. Minha vida ficaria tão vazia agora. Sempre tive medo de chegar à velhice como alguém que não conseguisse nem correr para pegar um ônibus (podem me chamar de pobre, mas prefiro 'sustentável'). Chorei um pouco, mas passou. Agora só estou me sentindo cansado de novo, talvez sejam os medicamentos que estão no soro agora. Vou enviar esse texto e dormir, quem sabe eu o edito amanhã?

Quando fechei os olhos e os abri novamente, estava deitado, na minha cama. Olhei a hora no celular, eram 8:45. Foi apenas um pesadelo. Hora de sair correndo para minha aula às 9.


17 comentários:

Diego disse...

Gente, é ficção, tá? A pessoa hoje acordou com o Jorge Luís Borges no corpo, querendo experimentar os limites entre o real e a ficção. Esperamos só que ele não experimente demais.

Marcos Campos disse...

Ainda bem que foi um sonho !!??

Autor disse...

Filho da puta!

Borboletas nos Olhos disse...

Filho da puta!(2), da sua esposinha com sangue nos olhos.

Thiago disse...

INCEPTION... Hmm...

FOXX disse...

"vida amorosa" é "ir pra balada"? tem q ver isso ai, tá errado!

Diego disse...

Mmmm, eu não tinha reparado nisso que o Foxx reparou. Interessante.

Anônimo disse...

Filho da puta! (3)
Já estava preocupada...

Júlio César Vanelis disse...

Gui... Seu tosco! Só não te chamo de filho da puta pq conheço a sua mãe, e ela é muito legal para ser chamada de puta...
Cara, fala sério... Quer matar agente de susto? Já estava pensando em matar aula amanhã para ir te visitar no hospital...
Mas enfim... Que bom que foi só um sonho... rs

Beijos amigos.... até o próximo

VoxVOX disse...

Esse climax de terror foi proposital, né? ... te digo de cadeira ... não há nada de romântico em ficar em uma cadeira de rodas ... nos ultimos 2 meses foram 4 semanas, o resto de muletas ... a vida fica muitissimo dificil ... os obstáculos urbanos são quase q insuperáveis ... mas o pior de tudo são as pessoas tentando te passar para trás ... que bom nao passou de um pesadelo ... sorte ai

Cara Comum disse...

Olha eu concordando com o Foxx... º0º

inconstanteblog disse...

Ufa... q medo deu! Comecei a achar mto estranho o texto com os e-mails dos blogueiros hj e a msg no facebook... Até o final do texto, não passou pela minha cabeça que pudesse ser ficção hehehe...

Medooo!

Agora, só em pesadelo mesmo pra vida amorosa = boates e bares e eventos gays, hein? =P

Xêrinho!

Rafa disse...

Babaca! Eu já aqui desesperado...Ufa!!

Faz mais isso não fio!

Bj

Daniel Braga disse...

Como assim?! HAhaha, tenso.. tava quase te ligando pra saber se você tinha sido assaltado, apanhado (muito) ou atropelado! HAhaha.

~> Bee, pelo amor de Deus não faz a Luciana (Viver a Vida). Te amo muito.. ainda andaremos e correremos muito pelo Rio pra mostrar que somos lindos e sustentáveis, isso é claro até arranjarmos maridos ricos com limusines.

*DB*

Luciano disse...

Começou tenso...
E concordo com o Foxx: vida amorosa não rima muito com balada. Rima mais com pipoca na frente da TV com os pescoços enroscados.
Muque de Peão

Lobo disse...

Meio infeliz esse comentário de vida amorosa com balada. Não que não aconteça, mas... né? Não é sempre que temos um amigo bêbado jogado na sarjeta para dar uma força hauahauahauahu

DPNN disse...

alguém ainda cai nessa? kkkk