domingo, 26 de setembro de 2010

A vida sem música seria um erro..

Eu tenho percebido faz algum tempo que todos os blogayros que eu leio falam de música. Seja do tipo de música que eles ouvem ou do tipo de música que não gostam de ouvir.

E também percebi que são músicas que eu nunca ouvi falar, cujos artistas são pessoas que eu não tenho a mínima ideia se são bons, ruins, conhecidos. Me sinto muito sem cultura.

O fato é que, ao mesmo tempo que a gente crítica a indústria musical e as pessoas por causa do LadyGaguismo e etc, em geral, as chamadas GayDivas (até hoje não entendo porque gay tem mania de ficar chamando mulher de diva...), não fazemos exatamente o oposto?


Sendo mais claro, a gente não acaba indo para o lado "se você só escuta isso é porque não tem cultura/inteligência ou qualquer capacidade de crítica musical". Acaba ficando o oposto, a bicha chique, inteligente é aquela que escuta a música alternativa, que não necessariamente está no circuito comercial das grandes gravadoras (ou está, mas, ainda sim, não atinge um público comparável ao das GayDivas).

Também vou confessar que não sou da geração da maior parte dos blogueiros que eu leio. Acho que o tipo de música que fez sucesso na adolescência deles devia ser esse tipo de música que hoje eles admiram tanto.

Só ouvir pop, house ou eletro realmente diz algo sobre a cultura da pessoa? Não conhecer músicas, cantores e bandas ofuscadas pela mídia mas saber de cor a 1ª Lei de GaGa é realmente um problema? É, realmente, um problema ter um estilo de música definido e só querer escutar esse tipo de música?

Sim, é. Música, não importa qual, não importa a letra (mesmo os funks do batidão que todo mundo odeia mas desce até o chão quando toca...) foi feita pra ser apreciada. Foi feita pra ser ouvida não uma, mas duas, três, quatro vezes. No mesmo dia, na mesma hora, um mês depois, um ano depois! Fora que, você pode até achar que não vai gostar, mas deve sempre estar aberto a possibilidades, né? Eu comecei a ouvir Nightwish, Bandas Japonesas e, inclusive, pop, assim. Experimentando.

Além disso, quando vocês escutam uma música que já não toca mais, aquela música não traz algum significado? Não te lembra algum momento ou situação, bom ou ruim, não importa, mas não desperta um sentimento verdadeiro?

Toda vez que eu escuto Jai Ho (You are my destiny) das PCD meu coração dispara. Sabem porque?



Era a música que tava tocando quando eu peguei o primeiro cara da minha vida. A letra é aquele sentimentalismo, meio Rede Globo, mas tem muito significado pra mim.

Uma música, pra ter algum significado, não precisa nem ter uma boa letra nem uma boa batida. Ela só precisa tocar na hora certa. 

Menosprezar uma música ou artista só porque a massa burra e retardada (como são 99% dos fãs da Lady GaGa, que acham que só existe ela no mundo) curte. Cada um pode se divertir, tendo raciocínio crítico e alguma cultura, com coisas do meio comercial. É o mesmo que dizer que quem só assiste filme hollywoodiano não tem discernimento.

Mas isso fica uma discussão pra outro post.

Até lá, vou ouvir Just Dance e dançar aqui pra ver se fica tudo ok.

12 comentários:

sougay disse...

O negócio é não ter preconceito. Sou aberto a tudo. Ouço (e adoro) música dos anos 70, dos anos 80, Bee Gees, Beatles, Kelly Clarkson, Yanni, Enka (um tipo de música popular japonesa), Calypso (!), rock alternativo, música clássica...

Ultimamente, tenho adorado o tal do "Papanamericano"...

Cada uma delas, através de suas particularidades, me leva a um determinado estado de espírito. E é isso o que importa. Tô me lixando se uma música que gosto tenha apenas três acordes. Ouço, adoro, fico feliz e pronto!

O gosto é pessoal, e é algo formado por muitas outras coisas também pessoais (experiências, educação, meio em que vive). As memórias são pessoais. Ninguém tem o direito de dizer que isso é bom e isso é ruim, pois a correlação entre as notas musicais e as lembranças do ouvinte é estritamente subjetiva e relativa.

O máximo que se pode fazer é o tal do respeito ao próximo. Seja qual música for, ouvir em volume saudável é necessário!

Gui Sant'Anna disse...

Claro, nem entrei no mérito do volume, né? Isso não é mais questão de gosto musical, é questão de educação.

Aí é que tá, música é uma coisa que se escuta pra apreciar diferentes momentos. Cada estilo de música serve pra alguma coisa. Quando eu to na balada, odeio ouvir música triste

Acreditam que já ouvi no Cine Ideal coisas como With or Without You, Russian Roullete, Because of You e etc? Tinha um amigo que tinha acabado de terminar o namoro. Nem preciso dizer que ele se debulhou em lágrimas, né?.

JC disse...

Gui, para ser cult não precisa ser underground... O que te faz ser cult é a forma como vc ve a musica. É a mesma coisa que uma pessoa que só usa Dolce & Gabbana e fica pior vestida que uma pessoa que só compra roupa na C&A. O fato é, se vc não é ignorante, se vc não tem preconceito com relação a musica, e consegue ver nela algo mais do que a maioria das pessoas, vc é cult. Eu, modestia parte, me considero uma pessoa cult cm relação a musica, e eu escuto Lady Gaga sim, e daí?? Não vou deixar de ser só pq a Lady gaga é Pop... Muitas Bandas hoje em dia são consideradas mega cult e foram um dia tão Pop quanto a Lady gaga é Hoje (Beatles, por exemplo, que foi a banda que mais vendeu discos na História). O importante é que vc sabe apreciar a música da maneira certa...

Até mais amigo ;D

Lobo Cinzento disse...

Fiquei um pouco confuso no início da discussão. Mas são sei... acho que antes da questão cultural, tem muito a questão do gosto. Tem som que algumas pessoas gostam que não desce a goela de outrem simplesmente porque a batida não soa bem no ouvido delas, ou porque aquele estilo não os agrada. A partir daí que acho que se aplica a questão cultural da coisa. Eu não curto música do circuito. Mas simplesmente porque meu estilo de música é outro. Tenho raiva de funk, pagode e axé SIM! Mas isso é questão de raiva acumulada XD.

Agora, associar música a fatos é o maior perigo de não querer passar perto daquela música nunca mais! ahauahauahau

Abração Gui!

Gui Sant'Anna disse...

Hahaha, imagino, lobo. Sim, tem a questão de gostar ou não, mas não era isso que eu to discutindo, mas é a taxação de algo porque você escuta um determinado tipo de música. Ou não escuta outro, entende?

Associação é perigo, sim, mas às vezes é inevitável, ou você não tem nenhuma música que te lembre algo/alguém?

PabloRod disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
PabloRod disse...

Realmente não faz muito sentido menosprezar alguém simplesmente por gostar de algo que faça parte da cultura de massa. Ainda menos sentido faz se sentir dessa forma. Da mesma forma não faz sentido acreditar que a pouca(ou não)divulgação de uma produção é um filtro de qualidade da mesma.

mas...

Como é a sua relação com a música? Há alguma apreciação por uma estética incluída nela? E há algum senso crítico com relação a qualidade dessa estética?

O problema é que o senso crítico só se desenvolve à partir da base de informações que possui. Pois quando se passa de um nicho que conhece para um desconhecido, o mais comum é simplesmente falar "não gosto"(tudo bem que existem aqueles que falam que gostam só para se incluir em um grupo). Por isso que é difícil para uma pessoa que só assista filme hollywoodiano compreender um filme europeu com seu ritmo mais lento e diálogos mais profundos.

David ®... disse...

mto boa sua reflexão sobre o assunto. Eu sempre disse q se tocassem Ella Fitzgerald, Tom Jobim nas AM, FM e nos elevadores as pessoas diriam q eles "não prestam".
Uma canção q acho linda é a do Titanic. Mas só pq é a Celine q canta e pq tocou a exaustão o povo desce o pau e parece q tira todo o mérito da música em si..enfim

Bjão

Gui Sant'Anna disse...

@PabloRod: Concordo plenamente com você. Tô considerando até copiar um trecho e anexar no post, hein?

@David: Falou TUDO! É uma tendência que todo mundo tem de achar que o que toca demais fica ruim. Lembro de uma entrevista do Kings of Leon que eles diziam que odiavam Use Somebody porque começou a tocar direto, mas que antes adoravam a música. Eu particularmente acho a música uma merda, mas, né...Até hoje quando eu escuto BR eu ainda curto. Hahaha

FOXX disse...

concordo plenamente!
parabéns pela reflexão.

Dois Perdidos disse...

meu i-pobre (I-pod genérico) vai de Calcinha Preta à Einstürzende Neubauten, se prender a preconceitos musicais é bobagem, música tem valor afetivo!

Gui Sant'Anna disse...

@Dois perdidos: Disse tudo!