domingo, 13 de março de 2011

Geração Sibutramina #2

A segunda parte do post é exatamente a discussão dos motivos que levam as pessoas a consumirem esse tipo de medicamento e do real objetivo deles.

A Sibutramina - e similares, não no sentido político, mas farmacólogico - foi criada com o objetivo de facilitar que pessoas com dificuldade de perder peso - e quando eu digo dificuldade, é, de forma geral, dificuldade METABÓLICA, não psicológica - a fazê-lo. Seu público-alvo, portanto, eram pessoas com distúrbios metabólicos.

A questão é que não estamos lidando com uma sociedade ideal. Estamos lidando com uma sociedade que exerce pressão no sentido da busca de um padrão não só social mas também - talvez, principalmente - físico. A ideia do corpo perfeito - magro, definido, dentes brancos e perfeitos, cabelo liso - é cuspida todos os dias na nossa cara desde...sempre? Desde que lembramos do comercial de margarina? Desde que vemos o mocinho da novela das 9?


É redundante vir com o discurso da ditadura da beleza etc. Vocês todos já sabem do que se trata. Mas, na busca pelo tal padrão, também estamos lidando com jovens de 15, 16 que talvez nem estejam acima do peso, mas que se consideram 'gordos' por não se encaixarem na foto da modelo photoshopada da revista Marie Claire. E aí, quando você tem o medicamento 'milagroso', isento (?) de riscos, por que não usá-lo para atingir uma meta 'pessoal' de beleza?

Vivemos em uma geração que está bombardeada pela 'mercantilização da saúde' (ih, será que alguém vai me chamar de marxista agora?), em que tudo pode ser depositado numa pílula. Em uma solução simples, rápida, eficaz, sem dor. Não só os medicamentos para emagrecer, como a Sibutramina, mas também os anabolizantes, os medicamentos para memória, os antidepressivos e ansiolíticos (Prozac? Rivotril? Lexotan?), é uma pressão generalizada para o CONSUMO de produtos que podem te 'ajudar' a se igualar com o padrão, a ter aquela barriguinha, aquele cabelo...

Não se enganem, porém, que isso é um fenômeno do século XXI. Já acontece há muito mais tempo que isso, a diferença é que agora existem outros meios - derivados também do grande avanço científico-tecnológico - para exercer essa influência. Essa ideia de upgrade físico foi uma das causas da proibição da Sibutramina, porque o abuso foi gerado em grande parte por pessoas que não precisavam dele, realmente

Uma questão fundamental é saber separar os distúrbios psicológicos dos físicos, metabólicos. E entender que medicamento não é uma pílula mágica, é uma substância que tem riscos e foi projetada para um público específico na maioria das vezes.

Já dizia a P!nk: Just like a pill, instead of making me better, you keep making me ill.

15 comentários:

Rodrigo disse...

Nossa, belíssimo post, Gui!

bj

Daniel disse...

Como diz o Alê do RH do inferno: "Paraísos artificiais".

Júlio César Vanelis disse...

É incrível como as pessoas ainda acham que pílulas de sibutramina são a mesma coisa que uma bala Halls... É só vc ter um dinheirnho e comprar, rponto, problema resolvido... Acho que disturbios alimentáres psicológicos são um pouquinho mais difíceis de resolver do que o mal hálito...

Um abraço, rapaz...
Até o próximo

SG disse...

E olha que as pessoas usam até medicamentos veterinários para emagrecer. Estive há duas semanas em um Plenário do TJ de MS, e presenciei a apreciação de uma apelação, no caso da morte de um rapaz que fez uso de Clembuterol. É triste ver o sofrimento que isso causou, tanto para a família, quanto para o rapaz, que morreu de ataque cardíaco.

BsVoxx disse...

Muito legal levantar a discussão do abuso de medicamentos ... mas acho legal não cair na idéia oposta, pois hoje ha medicamentos de uso continuo para muitos males com efeitos otimos ... o ideal é sempre fazer uso dos medicamentos com a orientação de medicos em conjunto com o farmaceutico. ...

..::voy::.. disse...

e lembrando ainda que a sibutramina e seus adjacentes necessariamente tem que ser vendidos com prescrição medica e retenção da receita. coisa que não acontece de fato, ja que eu mesmo sei de gente que compra sem receita e usa sem necessidades...

abraços do voy

Lobo disse...

Sei lá... os remédios estão ai pra ajudar. Sou da idéia que informação não pode faltar. Então a gente avisa, informa. A partir daí, não se pode fazer mais nada. E tem gente que só aprende do jeito difícil...

S.A.M disse...

Acabei lembrando tambem do RH do Inferno, eu uso essa mesma avaliação pro cigarro e pras bebidas.
Muita gente usando artificialidades pra ser feliz e esquecendo da felicidade real: pura e simples.

Beijao!

Fred disse...

Eu não uso nada.
Sou careta.
Hahahahahaha!!!!!
Hugzzzzz!

Bruno disse...

Agora comece a pesar 100kg, viva no mundo que nós vivemos, saia pra onde nós saímos (e vc sabe o que quero dizer com isso, gui) e repense a postagem.
Obs: acrescente falta de dinheiro para outros procedimentos "menos agressivos"
Você está se limando aspectos importantes. Está tendo uma visão positivista do assunto porque, afinal de contas, não há como você se aproximar desse objeto da sua discussão.

concordo apenas com o 3° parágrafo

bjo, seu lindo

Gui disse...

Então, Bruno, acho que você não entendeu a questão principal do texto: público-alvo.

Se você pesa 100 kg e está muuito acima do peso, não faz sentido apenas dieta + exercício. Você PRECISA de um auxílio para perder peso. O problema é quando você pesa 61, sendo seu peso ideal 60, e você toma Sibutramina pra perder peso, entende?

Dá uma re-lida por esse ponto de vista.

Beijocas

FOXX disse...

gostei tb e não achei nada marxista...

Cara Comum disse...

Pois é... Remédio é pra quando realmente se precisa dele... E eu tenho a tendência de evitar ao máximo o uso... aff

Abração!

Gato Van de Kamp disse...

ligação??? Que ligação???

Mulher Asterísco disse...

perfeito